TREZE ANOS SEM HEATH LEDGER!


I AM HEATH LEDGER!


13 ANOS SEM HEATH LEDGER!


Muitos nomes devem ser reverenciados por terem feito parte da vasta mitologia do Homem-Morcego; desde seus criadores Bob Kane e Bill Finger, passando por escritores do nível de Frank Miller e Alan Moore; grandes diretores como Tim Burton e Christopher Nolan e atores do gabarito de Michael Keaton e Christian Bale. Contudo não podemos esquecer daquele que foi o principal nêmesis do herói durante toda sua história, o Coringa.
O Palhaço do crime foi o responsável por momentos épicos da história do Cavaleiro das Trevas, seja nos quadrinhos, desenhos, jogos de videogame ou nos cinemas; e por falar em cinema, hoje homenagearemos o melhor filme da história do Batman, ou melhor, homenagearemos o maior responsável pelo sucesso do longa; nosso saudoso Heath Ledger.

O ator tinha apenas 27 anos de idade quando eternizou seu nome na mente dos cinéfilos do mundo ao interpretar o príncipe palhaço do crime, o Coringa, na trilogia do Batman, dirigida por Christopher Nolan. O ator já tinha conseguido certa fama protagonizando filmes como: “Os irmãos Grimm”, “Coração de cavaleiro” e “O segredo de Brokeback Mountain”, tendo boas atuações em todos eles, porém, o auge de sua vida artística viria no filme que revolucionou o conceito de super-heróis no cinema, Batman: O Cavaleiro das trevas.

Nolan pessoalmente escolheu Ledger, segundo o diretor, Heath tinha tido papéis versáteis e ecléticos durante sua filmografia, o que seria ideal para o papel de antagonista ao Homem-Morcego. Ledger recebeu com alegria o papel e sabia que aquela era a chance que ele poderia usar para eternizar-se na história e colher todos os frutos que ele tanto sonhara quando saiu da Austrália, mais precisamente da cidade de Perth. Porém o que ele não sabia é que aquele papel também seria sua perdição. E é justamente sobre isso que este artigo irá trataros conflitos entre o ator e seu personagem, ao criador e sua criação, Ledger vs. Coringa.


13 ANOS SEM HEATH LEDGER!


Era tarde de uma terça-feira em Nova York, dia comum para a maioria das pessoas, até para aquele motorista de ambulância que carregava um paciente as pressas. Os paramédicos haviam feito de tudo para tentar reanimá-lo em seu apartamento mas,  ele parecia estar indo em uma direção sem volta.
Foi a empregada do homem que o encontrou já desacordado em seu quarto. Teresa Solomon também estava tendo um dia comum, saindo de sua casa pela manhã para mais um dia de limpeza na casa de sua contratante. Ele não estava acordado quando ela chegou ao meio-dia, mas ainda roncava, e Teresa resolveu não incomodá-lo. Foi somente algumas horas depois, com a chegada da massagista do patrão que a empregada finalmente abriu a porta do quarto de seu chefe, e viu que ele ainda estava deitado na cama, porém agora já não se ouvia mais seu ronco, nem mesmo sua respiração.
Os paramédicos foram chamados e apenas sete minutos depois já estavam no apartamento do rapaz tentando reanimá-lo, mas nada parecia funcionar. Seu corpo foi conduzido as pressas para o hospital mais próximo, onde apesar de todas as tentativas,  seu óbito foi constatado as 15h36 daquele dia. O chefe de Teresa estava morto; seu nome era Heathcliff Andrew Ledger, ou simplesmente Heath Ledger.




Heath tinha três irmãs: Katherine, Ashleigh e Olivia. Recebeu esse nome, graças ao apreço de sua mãe por ser fã do livro “O morro dos ventos uivantes”, onde o personagem principal tem o nome de Heathcliff. Ele frequentou a escola militar quando era adolescente, mas desde o começo mostrava o desejo de ser um artista.
Fez papéis em produções menores na Austrália, até que após o sucesso na série “Home and Away”, resolveu se lançar na carreira Hollywoodiana.
Interpretou personagens marcantes como  o Willian, em “Coração de cavaleiro”; além de dar vida a Ennis Del Mar, um cowboy homossexual em “O segredo de Brokeback Mountain”, onde contracenou com Jake Gyllenhall, grande amigo e padrinho de sua única filha Matilda.
Foi após assistir Batman Begins, em 2005, que Heath se interessou a interpretar o Coringa. Segundo ele, a abordagem que ele pensava para o papel era perfeita com a atmosfera criada por Nolan para a franquia que ele planejara.

Sua escalação foi feita rapidamente por Nolan, que era fã declarado de Heath, mesmo sem ainda ter trabalhado com o ator. Outros atores de renome como Robin Willians e Adrien Brody se interessaram publicamente para interpretar o palhaço do crime, porém Nolan não teve dúvidas a escolher Heath, e o ator nunca deu motivos para o diretor se arrepender.

Em 2006, logo após receber a confirmação de sua escalação para interpretar o Coringa em Cavaleiro das trevas, Ledger mergulhou de cabeça em seu papel, sendo ele mesmo o responsável por criar a própria maquiagem do personagem no filme, e alguns trejeitos próprios como a parte final da cena do hospital, um dos momentos mais marcantes do longa.

Sua preparação para o papel foi montada em seu próprio diário, onde o ator colocou referências de tudo que podia o ajudar a construir um novo Coringa, que na visão dele, teria que ser diferente de tudo que já tinha sido mostrado até então. Algumas das principais inspirações para montar sua pesquisa foram histórias em quadrinhos como: A Piada Mortal, de Alan Moore e Arkham Asylum, de Grant Morrison. Dois marcos na história do Coringa na banda desenhada.
Outra inspiração é o personagem Alex Burgees, de Laranja mecânica. A psicopatia, o sadismo e humor negro do personagem ajudaram bastante Heath a incorporar mais elementos na sua versão do Joker ( Coringa, no inglês ).

Porém, o que é considerado o ápice de sua transformação no personagem foi quando Heath trancou-se em seu apartamento por cerca de seis semanas,  a fim de encontrar o isolamento perfeito para imergir mais ainda na mente do Coringa. Nessas semanas, o ator só se comunicava com sua irmã Katherine e eventualmente com o diretor Nolan, para o deixar a par de todo o processo de interpretação.
Nesse tempo, o ator moldou uma risada nova para o personagem, além do olhar, tics ( como os da língua para fora), entre outras coisas, que deixaria o personagem extremamente único. Nesse período, Ledger gostaria de criar uma redoma a sua volta para ver e entender o mundo  como o Coringa via, o que levou Ledger a uma busca incessante a beira da reclusão total, que combinado com uma bela dose de remédios calmantes e soníferos resultou em algo extremamente nocivo à sua saúde.

O ator jamais mostrou agressividade ou desrespeito com seus familiares ou pessoas a sua volta, porém era nítido que o personagem que interpretava estava o transformando. Calmantes como Diazepan, hidrocodona e doxilamina são comuns de se encontrar na casa de pessoas que trabalham sobre forte estresse, principalmente atores que são forçados a mudar seus personagens numa velocidade incrível, e se aprofundar na vida deles, procurando compreender tudo que se passa na mente dos interpretados. Porém, uma combinação desses remédios pode causar danos irreversíveis a qualquer um que os ingira de maneira imprudente.

Nas palavras do pai de Heath, Kim Ledger “Ele procurou por isso”. E quem ingere tais medicamentos com tanto demasia assume realmente um risco alto de ser vítima de um efeito colateral seríssimo, que no caso de Ledger foi uma overdose acidental, que culminou em uma parada cardíaca, levando ao óbito.
É preciso deixar claro que não foi o Coringa que matou Heath, como muitos dizem,  mas sim o trabalho em si, a exaustão e os limites que uma pessoa pode ser levada. O Coringa, na verdade, transformou Heath naquilo que todo ator sonha em ser: reconhecido, prestigiado e premiado. E o Coringa também ganhou muito com Ledger, e atingiu uma parcela não somente de fãs de quadrinhos, mas um público mais cult que antes não via graça em filmes de super-heróis.

A popularidade que o Coringa teve a partir de Cavaleiro das Trevas é muito creditada a Heath, que fez um trabalho estupendo e foi a um nível de atuação incrível, acima até do que outros atores do mesmo filme.
Outros artistas já faleceram ao sofrer do mesmo problema que Heath, o excesso de trabalho, a vontade de se provar, de arriscar mais, de fazer algo diferente, de ir até as últimas consequências para trazer uma obra digna para seus fãs.

O fato de interpretar um criminoso icônico como o Coringa apenas intensificou esse lado mais depressivo de Heath; deixou o ator mais propenso a dor que ele já poderia estar sentindo, e o lado doentio do personagem e seu olhar caótico sobre a sociedade agregou ainda mais sob a mente de Heath. Isso poderia ter acontecido na interpretação de qualquer outro personagem, mas foi justamente no maior vilão dos quadrinhos, e foi justamente no ápice de Ledger.
Sua morte não interrompeu Christopher Nolan na produção do filme, que o fez com maestria para honrar a morte daquele que fez de um ótimo projeto algo maior ainda, algo que nem o tempo irá apagar. O Oscar póstumo que Ledger recebeu como ator coadjuvante em “Cavaleiro das trevas” é mais do que merecido, e o fato de um homem que saiu da Austrália com o sonho de brilhar, e apenas ter chegado ao topo após sua queda, chega a ser tão irônico que parece uma piada de mau gosto do Coringa. Uma piada mortal.




*CURIOSIDADES
Em Esquadrão Suicida, lançado em 2016, o Coringa voltou a aparecer nos cinemas, desta vez interpretado por Jared Leto.
O ator também mergulhou de cabeça no papel, a fim de trazer uma personificação tão boa quanto a de Heath. Tanto que uma psiquiatra foi contratada pelos estúdios Warner para monitorar as “loucuras” que o ator fazia, para evitar que algo parecido ao que aconteceu a Ledger, se repetisse com Jared.