O DIABO DE CADA DIA(REVIEW)


A ANÁLISE
DA ESTRELADA
PRODUÇÃO DA NETFLIX!


O DIABO DE CADA DIA(REVIEW)


A história se passa no sul de Ohio e da Virginia, na parte rural das cidades. The Devil All the Time narra as histórias de personagens bizarros surgidos no final da Segunda Guerra Mundial, nos anos 60. Willard Russell é um veterano atormentado por não conseguir salvar sua amada esposa, Charlotte, de uma morte agonizante por um câncer.
Carl e Sandy Henderson são marido e mulher, mas também uma dupla de serial killers. Eles percorrem as estradas norte-americanas em busca de modelos para fotografar e exterminar. E, preso no meio disso tudo, está Arvin Russell, o filho de Willard e Charlotte. Ele cresce e busca se tornar um homem bom, mas também violento em sua própria maneira.

 

Baseado no livro de mesmo nome escrito por Donald Ray Pollock o longa é uma viagem pelas várias facetas de uma pacata cidade de Ohio. Inclusive o próprio escritor é o narrador do filme, com falas extremamente corretas e que contextualizam muito bem a obra, algo que Quentin Tarantino sempre coloca com muita exatidão em suas produções.
A direção de Antonio Campos acerta em cheio ao inserir momentos-chaves do livro na produção, e utiliza a narração de Ronald para colocar ainda mais alusões ao material original.
 
O elenco da produção é realmente estrelado, e possui nomes bem conhecidos do grande público. O atual Homem Aranha, Tom Holland é o personagem de maior destaque e desenvolvimento na trama. O carismático Arvin é apresentado ainda em sua infância, mas com o tempo se torna um homem, que apesar de escolhas mortais durante sua vida, nunca deixa de ser um personagem pelo qual o público é cativado e torce durante todos os 138 minutos de duração do longa. Este pode ser considerado o papel mais maduro e consistente da carreira de Tom.

O novo Batman, Robert Pattinson também está na trama e entrega mais uma atuação irretocável. Assim como em Bom Comportamento e O Farol, Robert mostra ótimas expressões, e um talento incrível para construir um personagem tão detestável como é o seu Reverendo Preston. Um vilão tão repugnante que é impossível o vermos e não lembrarmos da pior escória de humanos que somos testemunhas em nosso cotidiano, inclusive com atos muito parecidos aos escândalos de diversos membros do clero cristão.


O DIABO DE CADA DIA(REVIEW)-GEEK-RESENHAS

Outras atuações marcantes do longa são as de Bill Skarsgard (o Pennywise, de IT: A coisa) e Haley Bennett(A Garota no trem), ao darem vida ao casal Wilson, pais de Arvin, e que protagoniza o ato inicial da produção.
A jovem, mas já marcante, Eliza Scanlen também brilha na produção como a doce Lenora. Mais um papel de destaque para esta atriz de apenas 21 anos, e que carrega personagens extremamente interessantes como a Amma, da minissérie Sharp Objects, produzida pela  HBO.
Claro que nem tudo são flores, e temos as atuações mais apáticas de Sebastian Stan(Soldado Invernal do Universo Marvel) como Lee Bodecker e de Mia Wasikowska(de Alice no País das Maravilhas) como Helen Hatton para buscar o equilíbrio(como diria Sr. Miyagi). Não é a primeira vez que ambos os atores afundam personagens que poderiam render plots muito marcantes em sua filmografia.
 
Por mais que muitos telespectadores estejam reclamando do ritmo cadenciado, O Diabo de cada dia entrega ótimas histórias paralelas, com personagens que a princípio, não parecem importar para a trama, mas que no terceiro ato do longa, quando conhecemos seus destinos, ganham importância e nos deixam com a sensação de que senão conhecêssemos todas as informações que nos foram dadas ao longo do filme, o impacto causado não seria o mesmo. Não são todos os personagens que nos cativam, mas em sua maioria, eles são bem aproveitados, seja para nos fazer amá-los ou odiá-los.

Todos os estereótipos do típico Trash White estão na produção, como o xerife corrupto, os homens que resolvem tudo com os punhos, os cristãos irracionais, e claro, aqueles que estão tentando sobreviver em meio a todo esse caos.
O típico interior estadunidense é descrito, por muitos, como um ambiente de grande preconceito(reparam que não temos personagens negros na trama, e isso é proprosital), forte tom religioso e aparentemente esquecido no tempo. Bom, O Diabo de cada dia o apresenta exatamente desta forma, mas arranhando um pouco a superfície e dando uma oportunidade a essas histórias tão provocantes, podemos aprender que nada é o que parece, e que se formos a fundo, há uma ótima história para contar, seja qual for a estrada que pegamos.




 
O Diabo de cada dia é um ótimo entretenimento caso você queira uma produção com personagens fortes, muitas mortes e boas atuações. Além de fazer jus ao material original de Pollock.
A Netflix entrega cada vez mais diversidade em suas produções, e desde a ficção científica, até os dramas do interior, é possível encontrar bons exemplares no catálogo do streaming.