CRÍTICA : KRYPTON ( PRIMEIRA TEMPORADA )




CRÍTICA : KRYPTON 
( PRIMEIRA TEMPORADA )




"Da dúvida ao fantástico"




200 anos antes do tempo de Kal-El (Superman), o regime corrupto que leva Krypton tem Val-El, avô de Seg-El, julgado por traição e condenado à morte. Seg e seus pais são privados de seus privilégios e banidos para as favelas da classe baixa. Quatorze anos depois, após impedir um ataque terrorista à Associação de Legisladores, o magistrado-chefe Daron-Vex — o mesmo homem que desonrou os Els — organiza um casamento entre Seg e Nyssa, a filha mais nova da Casa dos Vex, que permitirá Seg a ser restaurado para as classes superiores. Quando Seg está sozinho, Adam Strange ,um homem que diz ser do futuro, se aproxima dele com uma mensagem para encontrar a Fortaleza da Solidão. Depois que Seg é quase preso após o toque de recolher, sua mãe, Charys, leva-o para a Fortaleza que contém a pesquisa de Val-El. Val estava pesquisando algo antes de sua morte e foi silenciado por isso; agora, a Casa de El precisa avançar com cautela.
Depois de voltar para a cidade, sua casa é invadida e Charys é presa. Trazidos diante do conselho, e recusando-se a reconhecer a localização da Fortaleza, os pais de Seg atacam os guardas, apenas para serem mortos por Jayna-Zod, líder dos militares de Kandor (Metrópole de Krypton). De volta à Fortaleza, Adam Strange retorna a um Seg deprimido, dizendo-lhe que há um futuro, mas está desaparecendo devido à intromissão temporal de um mal cósmico que busca apagar o Superman.


Com essa premissa, Krypton foi anunciada pela parceria Warner/SyFy e chegou cheia de incertezas, principalmente por parte dos telespectadores, que temiam uma possível mancha na história do maior super-herói da história. Confesso que também fiquei com um pé atrás mas como DCnauta fervoroso, fui assistir e tirar minhas próprias conclusões, como deve ser.
E olha, não me decepcionei nem um pouco. Krypton traz uma aura tão adulta e original que impressiona, o visual é maravilhoso e é de longe, o ponto mais alto da série. David Goyer ( também produtor de "O Homem de aço", de Zack Snyder), produtor da série não economizou na arte e aquela Krypton, vista no filme de Snyder é recriada e ampliada em grande escala, mostrando um planeta grandioso e que ainda não fora afetado pela destruição de seu núcleo.
O tão famoso CGI está incrível, e todos os ambientes do planeta Kryptoniano são muito bem recriados, desde a Guilda Militar até o ambiente dos Renegados, uma espécie de "Gotham" Kryptoniana. Os prédios e as instalações secretas dos grupos anti-governo estão todos muito bem construídos. Com direito a passagens subterrâneas e cofres que guardam armas de poder Apocalíptico.
A fortaleza da solidão também está lá, tão importante e tecnológica como a que conhecemos nos filmes do Superman.

E trazida por Adam Strange do futuro, e esvoaçando pela Fortaleza está ela, a capa do Superman, nunca nos deixando esquecer do primeiro super-herói da história dos quadrinhos. Ela vai se deteriorando e desaparecendo aos poucos a cada episódio, mostrando que se algo não for mudado na linha do tempo, em breve, tudo aquilo porque Kal-El lutou, inclusive ele mesmo, desaparecerá para sempre.

Claro, que uma ameaça desse tamanho teria que ser causada por um vilão ainda maior, e é aí que jaz outro acerto da série, o colecionador de mundos Brainiac.
A personalidade e as intenções do antagonista foram sendo desenvolvidas pouco a pouco, e incluem até a morte da doce Ona ( interpretada brilhantemente por Tipper Seiferd-Cleveland), transformada em uma bomba-relógio. Além disso, Brainiac assume o manto do ditador da Voz de Rao, força que comandava Kandor e tinha um grande poderio militar.
Isso faz Brainiac passar despercebido pelo povo, já que Voz de Rao sempre usava uma máscara. 


QUE VILÃO!!!

E o que levou a série a outro nível foi mesmo "Phantom Zone", último episódio da primeira temporada. Brainiac orquestra um ataque épico a Kandor, a fil de colocar a metrópole em sua "coleção". Óbvio que o ataque tem proporções gigantescas em Krypton, matando vários dos membros da Guilda Militar,e levando Krypton ao que poderia ser seu fim, 200 anos antes do que seria "correto".
A nave de Brainiac está soberba, e seus tentáculos varrem Kandor como se fosse poeira, além é claro da interpretação de Blake Ritson, deixando o colecionador de mundos com feições maravilhosas e uma voz que dá calafrios. Sem dúvida, uma das melhores atuações da série.

E por falar em atuação, temos ótimos destaques. Se a já citada Tipper Seiferd-Cleveland já mandou ver na série, outras atrizes mostram também que o sexo feminino de Krypton é realmente talentoso. Lyta-Zod e Nyssa-Vex, interpretadas por Georgina Campbell e Wallis Day, respectivamente, dividem o coração do protagonista Seg-El, e dividem também o papel de maior destaque da temporada (logo após Brainiac). A morena e a loira começam a série na segunda marcha, mas, logo desenvolvem seus personagens e demonstram uma importância absurda na defesa de seu planeta.
Eu confesso que adorei a Nyssa-Vex, e torço para ela conquistar o coração de Seg. Wallis Day fez um ótimo trabalho ao mostrar dois lados para sua personagem, começando  com uma "bonequinha de luxo", até se tornar um membro ativo de proteção a Krypton. Toda essa evolução muito em parte pelo amor que ela sente por Seg.
Outra que está na disputa pelo coração do rapaz é Lyta-Zod. Georgina Campbell entrega uma personagem com muita garra, e membro nada mais, nada menos, que da casa dos Zod; nome muito conhecido pelos fãs do Superman e uma casa que é muito bem explorada nessa temporada, talvez até a mais explorada, com um capítulo só para ela.
Lyta cresceu sendo educada a mãos de ferro pela mãe e líder do exército de Kandor, Primus-Zod (Ann Ogbomo), isso fez da moça uma ótima combatente e habilmente treinada para servir os Sagitari (nome dado ao exército de Kandor). Mas também ela mantém seus princípios e acredita no amor e na justiça, as vezes, colocando isso até acima de sua obrigações como comandante militar.

Ainda dou destaque a mais dois personagens: Val-El e o tão esperado General Zod.
Val-El (Ian McElhinney) aparentemente é morto no primeiro episódio, mas nunca deixa de aparecer na série, nem que seja em hologramas inteligentes, projetados por ele mesmo na Fortaleza da Solidão. Eles auxiliam e muito o nosso jovem Seg, e trazem um show de interpretação e experiência do ator 
Ian McElhinney.
General Zod, ou nesse caso, só Zod é interpretado por Colin Salmon. O ator traz um Zod calculista e desposto a tudo para chega onde ele quer, inclusive sacrificar sua própria família. É exatamente o Zod que queremos, e felizmente teremos muito mais dele na segunda temporada (já confirmada pelo SyFy).
Zod vem do futuro e aparece ao longo da temporada e mostra uma eloquência que dá até raiva e consegue facilmente ter aliados preciosos ao seu lado, inclusive sua própria mãe, que mesmo sem conhecê-lo, acredita no homem, e o segue ao lado de Seg, mesmo com Adam Strange alertando todos sobre o perigo que Zod seria no futuro.
Porém, a maioria do grupo cai cegamente na conversa de boas intenções do homem que segue em sua investida em busca de poder.


Até nosso querido General Zod deu as caras, e ele é negro!


Mas...

nem só de pontos altos vive a série. E um dos tópicos que mais causa desagrado na série é justamente seu protagonista, Seg-El.
Cameron Cuffe faz uma interpretação muito abaixo do esperado para aquele que virá a ser o avô do Superman. O rapaz é apático em sua maioria do tempo; e desperdiça várias cenas que poderiam se tornar épicas mas com suas interpretações e feições, se tornam apenas "passáveis".
Cameron tem que evoluir muito se quiser chegar no mesmo nível da série, outros personagens também começaram devagar, mas se desenvolveram. E ele como protagonista, tem que seguir o mesmo caminho, para não prejudicar sua carreira e ao andamento da produção do show.
Outro que também não convence (literalmente) é Adam Strange, interpretado por Shaun Sipos. O personagem percorreu centenas de anos para salvar seu planeta, o nosso planeta; e até agora não mostrou o porque de ser O Escolhido. O rapaz não consegue nem convencer Seg de que Zod é um perigo, e argumentos não faltam, além de muitas vezes não parecer dar a devida importância a sua missão, não aparecendo em vários momentos da história. Nesse caso, a culpa é mais da direção de Cameron Welsh, mas em alguns casos, Shaun também não dá conta do recado.
Os primeiros episódios da série desanimaram um pouco a audiência, que em parte caiu muito do episódio piloto até a segunda metade da temporada. Eram muitas informações para pouco tempo de tela, e a carroça acabou quase atravessando a frente dos bois; por sorte, Cameron Welsh consertou tudo nos episódios seguintes e conciliou muito bem seus diferentes núcleos com o enredo.
O diretor envolvido em trabalhos mornos como "Constantine e "Ash vs. Evil Dead", mostrou ser competente para dirigir episódios cruciais para a série, mas sem o mesmo êxito em episódios mais cadenciados e construtivos. O australiano deve voltar para a próxima temporada e deve aprimorar ainda mais o talento que tem.


"Krypton deixou várias pontas soltas para a próxima temporada, e isso atiça mais ainda a curiosidade para o que veremos ano que vem"


No final das contas, Krypton ( apesar de seu começo apressado e confuso) mostrou ser uma ótima série para os telespectadores e uma boa alternativa para os fãs de super-heróis. É uma série madura, com ótimos personagens, uma produção magnífica e com um enredo que ainda tem muito para contar. Agora é aguardar o que nos espera na segunda temporada e torcer para que ela seja ainda melhor a primeira.


Só pode uma hein Seg, escolhe logo!


"Krypton foi da descrença para a realidade, sorte do SyFy, que ousou e foi bem recompensado com a série de maior audiência da emissora na temporada.



                                                                                                                         NOTA: 8,0/10,0




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