CRÍTICA - OS ESTRANHOS 2 (STRANGERS 2 - PREY AT NIGHT )

          
      CRÍTICA - OS ESTRANHOS 2       (STRANGERS 2 - PREY AT NIGHT )


"O filme é parecido com seu anterior, tanto pelo lado positivo, como negativo"



Johannes Roberts aparece cada vez mais no cenário do suspense, e se ano passado, com "47 Meters down" ( ou, "Medo profundo", em algumas traduções) ele nos deixou pregado na cadeira de tanta tensão, esse ano ele já dirige "Os Estranhos 2 - Caçada Noturna"; e apesar de não ser um filme tão original quanto "Medo Profundo", ele traz elementos que funcionaram muito bem no primeiro filme da franquia e nos trazem aquela sensação gostosa de ter que olhar para todos os cantos para saber se estamos realmente seguros. Infelizmente, os erros do primeiro filme também aparecem aqui; deixando "Estranhos 2" com aquela de sensação de mais do mesmo. É um mais do mesmo bom, mas que poderia ser melhor explorado.



"Os Estranhos 2: Caçada Noturna" acompanha uma família prestes a mandar a problemática filha adolescente para um colégio interno, não antes sem embarcarem em uma última viagem em família, com destino a um parque de trailers, junto dos tios da menina.
A diversão dá lugar ao terror começa quando a adolescente descobre os corpos de seus tios, que acabaram de receber uma visita dos Estranhos mascarados. Agora, ela e o resto da família que devem lutar pela sobrevivência, escapando do selvagem trio de assassinos.



"Os Estranhos", de 2008, surpreendeu nas bilheterias ao redor do mundo, faturando US$ 82 milhões para um orçamento de US$ 9 milhões; e no mercado atual, isso é garantia de continuação, que apesar de chegar tarde, não fica atrás em nada do primeiro filme, até mesmo pelo retorno dos mesmos produtores (Roy Lee, Doug Davison, Nathan Kahane e Trevor Macy). Porém, dessa vez ao invés da linda Liv Tyler e do galã Scott Speedman, temos um quarteto como protagonista da história. Christina Hendricks e sua bela comissão de frente interpreta a mãe da família, Cindy. Martin Henderson ( ele mesmo de "O chamado" e " Grey's Anatomy), interpreta o marido de Cindy, Mike. Por sua vez, os filhos Kinsey e Luke ganham vida na pele e talento moderado de  Baille Madison e Lewis Pullman, respectivamente.

O quarteto principal é levado pelos atores mais experientes, que servem para pavimentar o caminho e sabermos melhor o que se passa naquela família. Eles fazem isso bem, mas, no segundo ato do filme, já vemos que serão os filhos do casal que conduziram a história daí em diante. E justamente nesse ponto, a interpretação tem uma queda brusca no talento e na inexperiência de Madison e Pullman. O menino ainda se esforça para comprarmos a ideia de um irmão zeloso e preocupado, mas a garota não é a final girl que o diretor Johannes quer que ela seja.

Se serve como base, Liv Tyler fez um bom trabalho no primeiro filme, e até sua morte entregou uma personagem bem emotiva e real, embora suas atitudes no filme irritassem qualquer um; mas isso já é um erro do diretor do filme original Bryan Bertino. Já neste longa, que não conta com a atriz, os papéis se inverteram, e a maior culpa pelos erros dos protagonistas é justamente dos atores, e não do diretor.

No caso de "Estranhos 2", a direção erra mais em colocar o filme nas mãos de atores mais despreparados, ao invés de dar mais tempo de tela para suas peças mais experientes.


 A inteligência ainda não é o ponto forte dos personagens

As mortes do filme não conseguiram me agradar. A maioria é longa demais e não tem a intensidade que deveria ter. Quando um filme se propõe a usar o "gore" em sua composição tem que usar de maneira astuta, senão fica parecendo mais um filme amador do que um filme de terror. A primeira morte por parte da família teria causado um efeito muito maior por exemplo, se os assassinos usassem métodos mais sujos e explícitos, como uma garganta cortada por exemplo.
Por outro lado, quando a vingança vem, ela vem mesmo. E as mortes melhoram bastante indo para o ato final. O modo com que o diretor passa filmá-las em ambiente aberto e com ângulos alternando-se entre o aberto e o close passam a sensação da veracidade e da dureza que está sendo aquela noite para aquela pobre família.

Outro ponto que o filme acerta em cheio é o posicionamento das câmeras. Johannes pegou o que teve de melhor no primeiro filme, as tomadas onde as formas nas sombras nos fazem ficar na ponta da cadeira.
Sempre achei isso genial no cinema; fazer com que passemos o olho por todo o quadro para acharmos a forma, a silhueta ou o esboço de algo que sabemos que está por perto, só não sabemos onde.
Aquele rosto na porta entreaberta, aquela forma na escuridão do parque... Isso tudo combina perfeitamente com o silêncio e a solidão que o ambiente passa. É um artifício de fotografia gostoso de se ver e que quando bem explorado, provoca tensão e uma gostosa sensação de "EU SABIA QUE ESTAVA ALI!"




Mas e os serial killers?

Damian Maffei, Emma Bellomy e Lea Enslin desempenham seu papel de maneira correta. O silêncio de seus personagens quando é quebrado, é por frases de efeito e que caem muito bem no enredo do filme e mostram bem a essência desses maníacos. Um grupo que só quer assustar e matar, puramente isso, brincar com suas presas, até elas beirarem o desespero e não acharem mais nenhuma chance de escapatória.
Os três são muito bem sincronizados e parecem sempre ter o controle de tudo, desde a morte dos pobres tios da família, até o ato final, eles não lutam e não se desesperam, só querem chegar ao produto final de forma lenta e mortal, tanto física como psicológica das suas vítimas.
Aquele antagonista que não corre, que apenas calcula e observa; não respeita as autoridades, tem total controle da situação e acima de tudo, não tem nenhum motivo para fazer o que faz. Isso sempre me causou mais calafrios que qualquer outro tipo de vilão. Afinal, Norman Bates e Hannibal Lecter não tinham motivo para fazer o que faziam e eram assustadores assim mesmo.

Infelizmente o que mais prejudica o filme ( assim como em tantos outros filmes de terror) é o final. O diretor não sabe como terminar a história e produz cenas difíceis de serem credíveis e desnecessárias para a trama; transformando o vilão quase que em um Mike Myers. Isso além de desvalorizar a veracidade da história, coloca incoerências na cabeça do telespectador, como um homem que é imune a explosões e coisa do tipo, além de desvalorizar aquela cena que poderia ser épica mas se transforma apenas em mais uma.
Como em muitas vezes no cinema, o menos pode ser mais, e nesse caso, seria muito mais.


No final das contas, "Strangers 2" se mostra uma obra de um diretor em ascensão, e capaz de divertir e assustar mais que muitos filmes mais badalados ( Ouviu It?). Tem vários pontos fortes como: Direção de câmeras e roteiro, além de aproveitar os pontos mais fortes do filme original. Os defeitos de antes também continuam, e isso diminui aquela sensação de mergulharmos no filme de cabeça. Mas isso não estraga a experiência, pelo contrário, dá um charme na franquia de nos deixa com água na boca para o que Johannes Roberts pode trazer as telas na continuação de sua promissora carreira.


Aquele jogo de sombras que fez "Os Estranhos" ser tão divertido


"Em "Os estranhos 2", novamente a franquia se mostra divertida e capaz de entreter durante todos os momentos da trama"


   
                                                                                                                     NOTA: 7,0/10,0



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