CRÍTICA - TERMINAL




CRÍTICA - TERMINAL



"Margot, você é chata de tão perfeita!"




Dois assassinos de aluguel (Max Irons e Dexter Fletcher) embarcam uma missão suicída, encomendada por uma pessoa misteriosa. Até que surge uma mulher perigosa, Annie (Margot Robbie), que está mais envolvida nessa história do que aparenta. Ao mesmo tempo, um homem em estado terminal encontra uma mulher que o faz repensar sobre qual destino seguir.


Escrito e dirigido por Vaughn Stein, "Terminal" é um filme ao melhor estilo psicodélico. Conta com vários elementos já vistos em outras obras, como a maquiagem escura de "O Duplo", o mistério por trás das falas dos personagens de "Corra!" ,e o ambiente traiçoeiro e de depravação de filmes mafiosos como "Caça aos gângsteres".
Mas não se empolgue, ele não traz o mesmo êxito que estes exemplos, e apesar de ter pontos interessantes, são seus personagens que levam o filme na maior parte do tempo e sim, são o ponto forte da trama.



MARGOTvilhosa & Cia


Não é novidade que Margot Robbie tem um talento enorme. Seu bom trabalho em "Golpe duplo" a fez ganhar a chance de protagonizar uma das maiores vilãs dos quadrinhos, a Arlequina. E embora "Esquadrão Suicida" não tenha feito o sucesso esperado, a personagem foi a melhor coisa do filme e dia após dia, ganha cada vez mais força a idéia de um filme solo da "Princesa palhaça do crime".
Após cativar o público geek, ela mergulhou de cabeça no filme "Eu, Tonya", onde interpreta Tonya Harding, patinadora artística que ficou famosa nos anos 90 pelas acusações de sabotagem e pelo banimento do esporte. A atuação mia suma vez foi perfeita e a loira foi presenteada com uma indicação ao Oscar desse ano.
Mas em "Terminal", ela consegue repetir o êxito?

SIM! E muito! Margot é o ponto alto do filme interpretando Annie. Ela é linda, sexy, sabe o que falar em cada cena, e tem um sorriso que te derrete (que ás vezes, lembra a Arlequina).

Annie é uma garçonete divertida e "língua -solta" que começa a aconselhar o único cliente de seu café, Bill,  Interpretado por Simon Pegg. E esta dupla eleva o filme ao seu ponto mais alto. O entrosamento de Pegg e Margot é muito bom, e além do carisma que eles já tem por natureza, as revelações que vão fazendo um ao outro vêm a tela de uma maneira tão natural que nos fazem esquecer que aqueles eram apenas dois estranhos que acabaram de se conhecer (ou será que não?)

Bill é um homem que após passar por um médico charlatão descobre que tem pouco tempo de vida. Desamparado e a refletir sobre um possível suicídio , ele se vê parado em um terminal, onde encontra um simpático e estranho zelador que o aconselha a ir a cafeteria que ficava ali perto, e é justamente lá que ele conhece a divertida Annie, interpretada por Margot. Ela é a garçonete do local, e rapidamente dois começam o que parece ser um amizade divertida, apesar de repentina. E de certa forma, o pensamento e histórico de vida dos dois acaba os fazendo criar uma empatia, e tratando do suicídio de um modo bem mais leve do que o jeito que antes ele via.

É sem dúvida o ponto alto do filme, e provavelmente um filme focado ainda mais nessa dupla funcionária melhor do que dividi-lo em dois núcleos. Este fato acaba nos intrigando a achar a conexão entre os personagens masa, também nos faz se perder um pouco entre os núcleos, e por vezes, achar que estamos vendo dois gêneros distintos na tela.
Com um roteiro mais enxuto, o diretor Vaughn Stein ( que também assina o roteiro) poderia aprofundar mais no passado de cada indivíduo e aumentar o suspense mostrando flashes de sua vida e do caminho que percorreram até aqui.
O diálogo de Annie e Bill atiça nossa curiosidade poucas vezes, e ficamos mais tempo parados tentando conectar um núcleo a outro, do que se interessar pelos assuntos discutidos e o porque do interesse de uma garçonete querer saber tanto da vida de um cliente.
Em um filme de drama, um diálogo diz tudo, já em um thriller como esse, as ações do passado e futuro é o que nos prende a ficar assistindo o filme.
Como disse, as falas de Pegg e Robbie são ótimas, mas destoam um pouco do que ocorre no outro mundo que cerca o longa.


Entendo meu amigo Dexter, eu também não resistiria a ela


Do outro lado da trama, temos Vince e Alfred, interpretados por Dexter Fletcher e Max Irons, respectivamente. Uma dupla de criminosos que recebem uma missão de um anônimo que pede a eles que cometam um assassinato. Tudo ia bem, até que encontram a mesma Margot Robbie em vários lugares diferentes, como boates e prédios abandonadoas. Alfred cada vez mais se encanta com a loira, que parece o seduzir a cada palavra; enquanto Vince com seu jeito arrogante se mostra mais preparado para lidar com o charme da moça.
Desde o começo, Alfred se mostra bem hesitante para um criminoso, chegando a momentos que lembramos aquela história de "Tira bom, tira mau", só que de foras-da-lei. Vince é mais articulado, e a interpretação de Dexter é convincente, melhor que a de Iron, que ainda não repete o seu bom trabalho em "A dama dourada". 
Sem dúvida, o foco do núcleo dos rapazes é entregar o suspense e o verdadeiro propósito da história mas, o filme tropeça em clichês como o já dito "Tira bom, tira mau", sem profundidade em seus personagens, e caricatos em alguns momentos. A fotografia mais escura do filme ajuda mas, não entrega a tensão necessária por si só. De repente uma ajudinha da edição de som do filme teria deixado o ambiente mais claustrofóbico e solitário.
O filme tem apenas cinco personagens com maior destaque na tela, e o quinto é justamente Mike Myers (Ele mesmo, a voz do Shrek), ele interpreta o tal zelador da estação de trem, que assim como Margot parece teleporta-se pelo filme, ora sendo um homem inocente fazendo seu trabalho, ora sendo convidado para limpar a sujeira de criminosos.
Sua atuação no terceiro ato deixa a desejar, e é justamente onde acontece aquele plot twist que sempre esperamos. Ele acontece de maneira rápida para nos causar surpresa, porém a tentativa não é o suficiente, e a virada na história não surte o efeito desejado, sendo muito mais feito para transformar a maneira com que vimos a personagem de Annie até aqui, e não para explicar o que foi visto até então. 
Com uma atuação mais suja e ambígua( que o próprio Mike teve ao longo da trama), o plot teria tido maior sucesso na história, e poderia nos fazer enxergar mais camadas nos personagens.


Pegg, charmoso como só ele consegue ser

O destino terminal de todos os personagens é dirigido de maneira correta. A tensão não é tão alta, mas as cenas são muito bem filmadas e os atores entregam boas atuações nos momentos mais importantes. Um grande acerto do diretor foi fazer uma trama com poucos personagens, isso facilita a nossa absorção do filme e gravar melhor os nomes e rostos.
Não chega a ser aquele filme que você vai querer adivinhar com seus colegas o final ou o que vai acontecer mas, ao mesmo tempo ele consegue divertir e tem Margot Robbie e Simon Pegg, o que já é um atrativo e tanto.
Os 90 minutos do filme são perfeitos e não repetem o erro de muitos filmes recentes que apostam em sempre alargar algo que já está de bom tamanho, mias um ponto para Vaughn, diretor que trabalhou em produções como Guerra Mundial Z e Sherlock Holmes, e que se continuar apostando no "menos é mais" e tendo ótimos profissionais ao seu redor pode colher ótimos frutos mais adiante. E se o roteiro dele não é classe A, a direção é bem conduzida e o seu jogo de câmeras faz seus comandsdos mostrarem todo seu talento, e eles elevam o filme ao seu ponto mais alto.



DIVA!!!


"Terminal traz um roteiro que beira entre o original e o esperado, isso aliado a atuações inspiradas de seus protagonistas fazem dele um thriller bom mas, que podia entregar mais na mão de um roteiro melhor construído".




                                                                                                                  NOTA: 7,0/10




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