CRÍTICA - A MORTE DO SUPERMAN



CRÍTICA - A MORTE DO SUPERMAN
( THE DEATH OF SUPERMAN )



"Everybody knows the good guys lost"



Em 1993, foi publicada a última edição do arco “A Morte do Superman”, planejada pelo editor Mike Carlin tinha como intuito sepultar definitivamente ( só que não ) o maior super-herói de todos os tempos. A saga teve muito êxito e conseguiu a comoção de milhares de leitores, que foram as bancas curiosos se a DC Comics realmente ousaria tanto em tirar de circulação o homem de aço.
Bom, e realmente era verdade. Superman encontrou sua queda pelas mãos de uma criatura até então desconhecida, e que foi desenhada pelos artistas da DC especificamente para causar a morte do escoteiro de Metrópolis. Foi dado para o monstro o nome de Doomsday, ou Apocalipse em português. O embate dos dois guerreiros foi épico e produziu cenas que se tornaram ícones dos quadrinhos, como a capa do Superman balançando ao vento, sem nenhum guerreiro para usá-la, ou até mesmo as lágrimas de Lois segurando o corpo de seu amado.
Enfim, uma história marcante, e que com certeza seria usada em outros meios , como por exemplo no filme “Batman vs. Superman”, de Zack Snyder, lançado em 2016; onde pudemos ver momentos épicos durante a batalha de Superman frente a Apocalipse, que na versão dos cinemas teve uma origem diferente das HQ.
Todavia, o filme como tudo na vida, não agradou a todos, e teve uma recepção mista pelos críticos, que acharam um exagero matar o Superman tão cedo, ao invés de deixar ele mais tempo no Universo DC e causar uma empatia maior com o público antes de um acontecimento desse tamanho.
Para o bem, para o mal, o filme já foi lançado a dois anos atrás e nada mais pode mudar isso. Mas, existem outras alternativas ,e uma delas era usar o arco da morte do Superman em outra mídia, e foi justamente isso que a DC fez ao lançar a animação “A morte do Superman”.
“A morte do Superman” no universo de animações DC/Warner será dividida em dois filmes; o segundo filme intitulado “O retorno do Superman”, será lançado ano que vem, mas a primeira parte dessa história já foi lançada e trazemos agora a análise da mais nova animação do azulão.


 O casal mais fofo da DC Comics


     COMO TEM QUE SER!

A animação começa com o Superman salvando o prefeito de Metrópolis de uma gangue, liderada por um homem chamado Mainheim. A cena inicial é muito prazerosa de assistir e vemos o Superman como ele realmente tem que ser. Ele é forte, imponente, honrado e até cômico em algumas vezes. É o escoteiro que conhecemos e admiramos tanto.

Após isso somos apresentados a outros personagens da mitologia do Homem de aço, como Lois Lane, Lex Luthor e até mesmo os pais do herói, Martha e Jonathan Kent. Todos eles muito  bem retratados e trazendo as principais características dos quadrinhos.

Destaque também para os outros membros da Liga da Justiça, que também marcam presença na animação. O que mais se destaca é o Flash, tendo ótimas falas e sendo um ótimo alívio cômico. Batman é o Batman, e até quando o filme não é dele, ele rouba a cena quando aparece.
Aquaman, Caçador de Marte, Homem-Gavião, Lanterna Verde e Cyborg também estão no longa. E este último mostra que cada vez merece mais uma animação só sua; principalmente por suas diferenças com seu pai e o grande e misterioso poder de sua armadura.

Mas, o herói que está melhor representado, ou melhor, representada é nossa SEMPRE PERFEITA Mulher-Maravilha! Sua relação com Superman é bem explorada, inclusive contando um antigo caso entre os dois; mostrando o quanto são importantes um para o outro. Sua luta frente a Apocalipse também está linda de se ver, e ela mostra porque é a maior amazona de todas.

E por falar em luta contra o Apocalipse, este é o auge do filme. A luta entre Superman e Apocalipse está incrível e com cenas lindas de se ver, como a cena da ponte e a aparição de Lois para ajudar o homem da sua vida. Realmente é um espetáculo visual que dá vontade de ficar vendo por horas e horas, mesmo já sabendo o que está por vir.


 "Bem-vindo ao seu Apocalipse"


Claro que nem tudo são flores...


Os movimentos mais simples e corriqueiros do filme são projetados de maneira robótica e parecem ter uma qualidade questionável. O melhor parece ter sido deixado justamente para as cenas de batalha, pois as cenas mais comuns como um herói andando pela cidade ficam abaixo da qualidade esperada. Além da trilha sonora de Friedrich Weidman, que aparece em alguns momentos mas que poderia ser bem melhor explorada.

Algo que incomodou também foi cada herói lutando individualmente contra Apocalipse. Óbvio que o diretor Sam Liu teria que tirar todos de combate para o protagonista brilhar, porém poderia usar de outros artifícios, já que uma Liga atuando individualmente não parece ser a Liga que conhecemos. Sem contar o fato da queda de herói ser sempre dada pelo mesmo movimento do Apocalipse: Uma tentativa de esmagamento com seus punhos, que sempre é evitada por outro herói, que acaba sofrendo a mesma tentativa de esmagamento, e assim, sucessivamente, até todos estarem fora de combate, e aparecerem, por coincidência, apenas após o sacrifício de nosso Clark Kent.

O vilão Apocalipse ser lançado na história de maneira tão crua também incomoda durante o filme. Sua história de origem merecia pelo menos um flashback, algo que não aconteceu, e quem não acompanha as HQ’s, acabou sendo um pouco prejudicado no entendimento da trama.
Entretanto, o que não podemos reclamar é dele, o homem mais inteligente e poderoso ( financeiramente) de Metrópolis, Lex Luthor. Após o Superman, ele é o personagem melhor retratado. Lex é genial, estrategista, frio, calculista, e totalmente focado a chegar em seus objetivos, não importando os sacrifícios a serem feitos. É o Lex que amamos, e odiamos também.


Os conflitos sentimentais de Clark com Lois também são bem explorados. O medo do rapaz de contar a moça quem ele realmente é, e acabar colocando-a em perigo faz ele perder completamente seu chão. Por sorte, ele sempre encontra uma maneira para deixar sua amada feliz e segura, nem que para isso tenha que sacrificar sua própria vida. E é claro, ele também sempre pode contar com os conselhos de sua sábia mãe, Martha, para enfim, decidir qual escolha fazer.


Que encontro! Que homens!

E “A morte do Superman” é justamente sobre esse tema, Escolhas. O que escolher, o que sacrificar, e qual o preço desse sacrifício. A vida é cheia de bifurcações que nos deixam em dúvida de qual caminho a seguir, e isso se tivermos coragem para seguir. Mas lembre-se a esperança é como uma carteira; você as vezes pode perdê-la de vista, mas se procurar bem, você sempre a encontra.

“A morte do Superman” tem pontos altos e outros nem tanto. Tem momentos incríveis, mas também tem momentos que temos a sensação de que já vimos tudo aquilo em outras produções da DC/Warner. Ainda assim,  é uma boa animação e que retrata bem um arco tão importante para a história dos quadrinhos como esse. É claro que nunca a morte do Superman irá ser tão emblemática como foi na década de 90, sem a influência das grandes mídias, porém isso não muda o fato de ser uma história de sacrifício e de acreditar sempre no melhor do mundo, até quando ele não acreditar mais em você.



                                                                                                                   NOTA: 6,0/ 10,0




*VOCÊ SABIA?

O arco de “A Morte do Superman” foi idealizado pelos executivos da DC Comics como uma forma de “atrasar” o final feliz de Lois e Clark nos quadrinhos. Uma vez que eles queriam terminar a HQ em sincronia com a série de TV “Lois & Clark”, que estava fazendo muito sucesso na época e tinha mais algumas temporadas para serem gravadas.




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