A ANÁLISE DA NONA TEMPORADA DE THE WALKING DEAD




DISSECANDO TWD: A ERA DOS SUSSURRADORES

“Há muito tempo, The Walking Dead não nos deixava colados na ponta da cadeira”



The Walking Dead iniciou sua nona temporada cercada de incertezas. E não é para menos, pois após duas temporadas bem abaixo do nível de qualidade que os telespectadores se acostumaram, seria normal ocorrer uma certa desconfiança por parte da produção e até mesmo de sua continuidade.
Tudo ficou ainda mais nebuloso com a confirmação da saída de Andrew Lincoln da série. O ator responsável por dar vida ao protagonista Rick Grimes confirmou que a nona temporada seria sua última, e iria focar sua carreira em outros projetos , além de passar mais tempo com sua família.
E para completar as saídas, Lauren Cohan, intérprete de Maggie no show, também confirmou sua saída de The Walking Dead ainda no começo da nona temporada, porém a saída não seria definitiva, apenas por um período sabático, para a atriz focar-se apenas na produção de sua nova série “Whiskey Cavalier”. Mais uma produção da AMC Studios, assim como The Walking Dead.

Uma trama cada vez mais monótona, com roteiros pífios, protagonistas saindo do show... The Walking Dead tinha tudo para descer mais ainda a ladeira  do sucesso, entretanto, quando as coisas parecem não poder piorar, as vezes, não pioram; elas melhoram(e muito).
E a situação melhorou principalmente por causa da mudança de direção da série. Scott Gimple foi substituído e o cargo de showrrunner foi para Angela Kang, e essa mudança fez toda a diferença no futuro de The Walking Dead.

Angela soube trazer aquela atmosfera densa e de suspense que já era tão bem explorada nos primeiros anos da série. Os personagens trazendo diálogos e referências ao mundo em que vivemos; líderes procurando formas de sobreviver de maneiras distintas mas com um mesmo final, a proteção de quem eles mais amam e prezam.
Dois anos depois, os episódios voltaram a ter pé e cabeça, e entre eles, um belo corpo, com cada parte em seu devido lugar. Trilha sonora, fotografia, direção e escrita; tudo alinhado pela mente talentosa de Angela Kang; e deliciando os fãs a cada novo capítulo desta amada trama.



O primeiro episódio da temporada foi bom, o segundo também, o terceiro melhor ainda, e por aí foi!
Domingo após domingo fomos testemunhas do renascimento da série mais vista do mundo; finalmente voltamos a ter medo de zumbis, medo de perder algum daqueles personagens maravilhosos e repletos de camadas. Cenas extremamente profundas como a conversa final entre Maggie e Negan; a morte extremamente bem feita de Jesus, a aparição do Cachorro que ganhou o coração de todos, além de outros personagens como Magna e Yumiko, muito importantes nos quadrinhos, e já com grande carisma na série.

Vimos episódio após episódio vendo a recente união entre os “mocinhos” e os Salvadores remanescentes da oitava temporada, até um esperado confronto que quebrou todo essa paz entre as comunidades. Vimos também ao tempo passar e Judith se tornar uma menina extremamente madura e carismática, até mais que seu falecido irmão Carl. No mid-season finale testemunhamos a morte de um grande personagem pelas mãos de uma nova ameaça: os Sussurradores. E que grupo maravilhoso é esse???!!!

Alfa, a líder do grupo, comanda tudo a pulso firme, e mantém seus aliados na linha de forma calculista e selvagem ao mesmo tempo. E você não vai querer irritá-la!
Samantha Morton está dando vida a uma Alfa no melhor sentido da palavra, ela é a majestade, é a líder, é o Norte de seus seguidores. E o mais assustador, para ela tudo que faz, é algo comum e necessário para a sobrevivência. Segundo Alfa, viver em comunidades muradas é algo com os dias contados, e o único jeito de viver neste “novo mundo” é ativando seu “modo selvagem”.
Seu braço direito é Beta, um homem de grande altura e de gigante brutalidade; que saiu na mão com o arqueiro Daryl em um dos melhores momentos da temporada.

E por falar em Daryl, o agora protagonista Norman Reedus fez bonito nessa nona temporada, ainda mais após a saída de Lincoln, o ator teve que assumir boa parte das investidas dos grupos protagonistas, e transitar entre todas as comunidades de forma leve mas marcante. E ele conseguiu. Daryl está sempre lá quando é preciso. Como diria seu irmão Merle: “É preciso de alguém para fazer o trabalho sujo”; e Daryl faz o dele, mas sem abraçar o lado cruel do fim do mundo.

Outros personagens também tiveram um bom desenvolvimento como Tara, Henry e Lydia; e outros como Michonne, tiveram momentos de “chá de sumiço” mas quando apareceu, mostrou o que esta temporada teve de melhor: o drama na medida certa.
Um Negan com traços de redenção, mas sempre com seu jeito Negan de ser; jeito esse que nos fez apaixonar pelo personagem. Sem contar, a grande atuação de Jeffrey Dean Morgan.
Desde crianças sendo cortadas por uma katana até bebês sendo largados para degustação de zumbis, tivemos de tudo! E claro: o que existe de mais épico em The Walking Dead, as dolorosas despedidas de vários personagens.


AS DESPEDIDAS

Como sempre, mortes marcantes foram os pontos altos da temporada, e nem vamos contar a famosa “morte” de Rick Grimes e a saída temporária de Maggie; vamos falar dos óbitos atestados e carimbados.

Jesus encontrou seu fim de forma repentina mas, em um arco muito construído, com direito a cortes de câmeras dignos dos filmes de George Romero. Jesus foi um dos personagens mais desperdiçados ao longo dos últimos anos, e nesta temporada, apesar de não ter tido um protagonismo evidente, sua despedida foi em grande estilo e apresentou de forma eficaz o modus operandi dos Sussurradores.
Mas é claro, você quer falar sobre as estacas, não é mesmo? Com certeza “O dia das estacas” era muito aguardado nesta saga dos Sussurradores e a expectativa estava alta; e felizmente ela foi correspondida.

Bom, felizmente para nós, porque para dez integrantes da série, as estacas dos Sussurradores colocaram um ponto final em sua participação na trama. Entre as vítimas, podemos destacar alguns personagens que já vinham na estrada conosco há um tempo, como Enid, Tara e o jovem Henry.
Concordando ou não, com as vítimas escolhidas pela showrrunner Angela Kang(que são diferentes das vítimas escolhidas nas histórias em quadrinhos de The Walking Dead), o final trágico dos personagens funcionou bem no enredo, e abre muitas possibilidades para a próxima temporada, inclusive uma certa evolução para alguns personagens.

Entretanto, alguns podem ficar de fora desta evolução, como a jovem Lydia, que estava sendo muito bem trabalhada na série, mas que sem seu affair Henry não deve ter uma vida muito produtiva(e nem muito longa) dentro dos muros de Alexandria.
A nona temporada se encerrou com um episódio morno(contrastante com o título “The Storm”); um capítulo da trama que foi usado para fechar um primeiro arco do conflito com os Sussurradores, e para iniciar um maior ainda, a aquisição de Negan para o lado de Alexandria; que será fundamental quando o estopim desta nova guerra acontecer.

Destaque para a parte técnica de“The Storm”, com uma nevasca perfeitamente elaborada para exemplificar o momento de frieza que muitos personagens estavam passando, sem contar com a ótima trilha sonora e construção das cenas, com “picolés de zumbis” aterrorizando nosso grupo de sobreviventes.
A trama em si, foi branda, sem muitos momentos de euforia criados(exceto, um certo rádio), mas com um lado sentimental muito pesado, principalmente com a deliciosa cena da guerra de bola de neve. E quem diria, Daryl sorriu???!!!


Angela Kang veio com tudo e mostrou que The Walking Dead ainda tem muito gás. Só era necessário alguém que olhasse com mais carinho para os personagens e para os roteiristas; diferente do trabalho de jardim de infância que Scott Gimple vinha fazendo.
Sem dúvidas, a nona temporada de The Walking Dead se encerra deixando um sentimento qua há dois anos não tínhamos, o de otimismo para a próxima temporada.


Nenhum comentário:

Postar um comentário