DOOM PATROL: ANÁLISE DA PRIMEIRA TEMPORADA!


PATRULHA DO DESTINO:
A NATA DO DC UNIVERSE!




Doom Patrol é um sucesso absoluto no serviço de streaming DC Universe, e assim como Titans, agrada público e crítica de forma quase unânime. A série teve seu season finale esta semana, e já ganhou a confirmação de uma segunda temporada.
O último episódio da temporada trouxe mais de tudo o que os outros episódios nos mostraram com tanta qualidade: drama, diversão, conflitos e personagens extremamente quebrados e deslocados no mundo, mas que nunca fogem de uma boa briga.

O sucesso de Doom Patrol deu-se muito pela fidelidade com que a obra foi retirada dos quadrinhos, tanto nas características físicas dos personagens, como em figurino, enredo e roteiro. Uma linguagem mais forte, com palavrões e tudo o que uma série para maiores precisa ter. Isso tudo tornou Doom Patrol uma das melhores séries de  heróis da atualidade, e a melhor até agora, do DC Universe.
Uma salva de palmas para o idealizador da série Arnold Drake!


A serenidade no olhar de quem roubou a série para si!


Não tem como falar do sucesso de Doom Patrol sem começar pelo maravilhoso elenco. Simplesmente todos os membros da equipe têm seu destaque. Alguns podem até começar sem espaço, como a Rita Farr, personagem de April Bowlby; mas que com o tempo se tornou um dos pontos de liderança e sensatez da equipe.
O humor está em todos os personagens da série, mas Cliff sempre rouba a cena para si. Brendan Fraser tem um tempo ótimo para comédia e ele está maravilhoso, seja como em sua versão robô, como na versão humana de Cliff. Como não amar ele dançando com o garotinho que estava vestido de Homem-Robô no episódio Danny Patrol? É muito amor para um personagem só!!!

Diane Guerrero é Crazy Jane, a moça de 64 personalidades, e cada uma delas mais interessante que a outra, até pelo fato de cada uma possuir um dom diferente, que vai do teletransporte à hipnose. Sua personalidade bad-ass Hammerhead é a que mais tem destaque na temporada, mas outras como a Baby Doll também foram deliciosas de se apreciar. Diane deu um show de interpretação, e em Jane Patrol, ganhou um episódio praticamente só para si, mostrando o underground em sua mente, o lugar onde todas as personalidades se reúnem. E apesar de não ter a mesma tensão, as interpretações de Diane lembraram muito o trabalho brilhante de James McCavoy em Fragmentado Vidro.
Sem dúvida, a melhor personagem da temporada, e a melhor atuação também.
Diane Guerrero eu te venero!!!!

Matthew Bomer tem um dos personagens mais curiosos. E não só pela bizarrice de seu espírito de energia negativa dentro dele, ou seu visual“descolado-mumificado”; mas sim por sua própria aceitação. Larry é um homem que aparentemente tinha tudo, mas ao mesmo tempo não tinha nada. Era um homem bem-sucedido por fora mas, infeliz e amargurado por dentro, como se tivesse uma força dentro de si querendo sair. A analogia perfeita com o “amigo espírito”. Durante a temporada ele precisa conhecer e dominar seus poderes, mas acima de tudo, conhecer e dominar a si mesmo, em especial, sua opção sexual. Destaque para a curiosidade de que assim como Larry, seu intérprete Matthew Bomer, também é gay na vida real.



É tanta fidelidade que até assusta!


Joivan Wade é um ótimo Victor Stone(Cyborg) e traz toda a carga dramática para seu personagem, principalmente seus medos em perder o seu lado humano, conforme o seu lado máquina evolui. É injusto dizer que Joivan é melhor que Ray Fisher, em Liga da Justiça; mas sem dúvida, aqui em Doom Patrol temos um desenvolvimento do Cyborg como deve ser.

Timothy Dalton é o mentor dos patrulheiros, Niles Caulder, e está correto como sempre em sua atuação, e sua pose de galã não é retirada nem quando ele sofre as piores torturas do vilão Mr. Nobody; interpretado brilhantemente por Alan Tudyk. Aliás, um dos vilões mais sarcásticos e carismáticos das séries de super-heróis da atualidade, inclusive melhor que muitos vilões de blockbusters multimilionários(ouviu Steppenwolf?).
Mark Sheppard, o Crowley de Supernatural, também dá as caras em dois episódios como Kip, uma espécie de “John Constantine depois da gripe” e mostra o grande carisma que o ator tem.




A parte técnica da série é um show a parte e merece ser muito elogiada, principalmente quando o quesito é a parte visual.
A fotografia mais escura em momentos tensos, e mais puxada para o amarelado em filmagens externas ajuda muito a contrastar os personagens e a sempre valorizar as cenas ao nossos olhos. A direção de arte é impecável, e isso não é fácil, pois Doom Patrol tem constantes mudanças na linha temporal dos episódios, e pode parecer difícil acompanhar a história no começo, mas a direção faz um ótimo trabalho, sempre colocando figurinos, objetos e cenários que sempre representam muito bem o momento próprio em que se encaixa aquele desvio temporal.

Os primeiros episódios de Doom Patrol podem ser mais cadenciados mas não se engane, as cenas de ação são muito bem feitas e os efeitos visuais ficaram dignos de tela de cinema. Até mesmo os efeitos de Mr. Nobody foram bem surpreendentes e mostrou que a produção soube utilizar muito bem o orçamento do show. Outro destaque também vai para as cenas onde o “espírito negativo” sai de Larry e flutua pelos ambientes; seu tom azulado e cheio de raios ficou muito bonito em cena.
O desfecho da temporada é muito satisfatório, e quem gostou dos episódios anteriores, certamente também gostará do final. Um tópico muito favorável à série é juntamente esse equilíbrio, onde todos os enredos dos personagens se fecham em um arco perfeito, não deixando pontas soltas, e sempre entregando um ótimo conteúdo aos fãs, que mesmo sendo algo relacionado a ficção, sempre traz elementos do nosso cotidiano; isso torna o show sempre próximo a nós mesmo, e nunca deixa o telespectador sonolento na poltrona.

Evidente que existem muito mais histórias por vir na segunda temporada, e muitas delas podem vim da fase dos quadrinhos de Doom Patrol escrito pelo mestre Grant Morrison. O desenvolvimento em equipe dos personagens também pode crescer ainda mais. Além de podermos presenciar mais momentos hilários como o da terapia organizada por Cliff, e o orgasmo coletivo na Danny Street; alguns dos momentos sensacionais desta temporada!



Doom Patrol é tão boa quanto uma série de heróis pode ser. É fiel, é ousada, é perfeita tecnicamente e traz personagens extremamente carismáticos. A DC mais uma vez acerta em seu serviço de streaming e nos deixa ansiosos para as próximas produções que estão por vir.



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