THE WALKING DEAD : THE FARMHOUSE (REVIEW)


O FIM DE UMA ERA:
FINALMENTE, OS VIVOS CAMINHAM





Após o anúncio bombástico de que The Walking Dead teria um fim nos quadrinhos, nesta semana foi lançada nos Estados Unidos a edição 193 da série; também conhecida como a última edição.
Pois é, finalmente o derradeiro fim de The Walking Dead chegou, ao menos nos quadrinhos. O criador e roteirista da trama Robert Kirkman se pronunciou e explicou que o principal motivo para o fim da saga nas páginas foi a vontade de encerrar o ciclo por cima; sem precisar apelar para  audiência e dar voltas e voltas no roteiro para angariar mais dinheiro dos fãs.
Uma decisão muito correta e rara do escritor; ainda mais em uma indústria onde o que mais acontece é lermos histórias que nos passam a sensação de mais estarem nos enrolando, que cativando.

A edição 193 começa após um hiato de dez anos, onde vemos a evolução da humanidade, e percebemos que de uma forma ou de outra, os humanos venceram os zumbis, e estes, são cada vez mais raros, tanto que existem pessoas que ganham a vida caçando os mortos-vivos para os mostrar como verdadeiras atrações de circo, tudo em troca de dinheiro. Considere isso um Zoológico Zumbi.

Uma das pessoas que faz isso, é justamente Hershel Jr. O filho de Glenn e Maggie guarda muita mágoa pelo não reconhecimento do valor de seu pai pela maior parte do público; e se torna um personagem chato e que junta zumbis pelo mundo afora para os exibir em troca de algum money(Como se ele não soubesse o tanto que os zumbis já atormentaram seu pai).

Quem não gosta disso é o protagonista desta edição, Carl Grimes. Agora, um homem feito, casado com Sophie e pai de Andrea; uma doce menina que adora ouvir histórias antes de dormir.
Aliás, está aí, o ponto mais alto desta edição. Quando Carl conta os feitos de Rick Grimes, seu pai, para sua filha Andrea, é muito bonito vermos a importância que Rick teve não só para quem o conhecia bem como Carl, mas para o mundo a sua volta; que o considera um ídolo(a ponto de ser erguida uma estátua para nosso amado xerife).
Rick Grimes era a alma de The Walking Dead, e sua despedida na edição passada soou como algo muito forçado e simples para toda a magnífica e brava trajetória do xerife, porém, seu legado é inquestionável. E isso serve tanto para os quadrinhos, como para a série de TV.




Carl se tornou uma espécie de deslocado, sendo mais distante do mundo e preferindo um lugar mais calmo para viver com sua família. Ele parece ser tão amoroso quanto o pai, e sua aparência física também indica a forte influência que Rick teve em sua vida.

O menino, agora homem, reflete bem tudo o que já fomos testemunhas até hoje em The Walking Dead, e seu personagem foi um dos que mais evoluíram. Não podemos esquecer que Carl foi praticamente formado por inteiro em um mundo pós-apocalíptico, já que em sua infância, poucos anos foram vividos antes de toda a tragédia acontecer.
Mas isso não fez ele mudar a sua essência. Carl se tornou um homem de honra, batalhador e que protege sua família. E muito disso, se deve a seu pai, Rick Grimes.




Claro que outros personagens também dão as caras nesta última edição de The Walking Dead, como Maggie, agora Governadora do Império(Pamela está presa. Assim como a peste do seu filho Sebástian, responsável por você sabe o quê) e Michonne como juíza da Suprema Corte Pós-Apocalíptica.
Negan também dá as caras brevemente em uma bonita cena diante do túmulo de Rick; que foi sepultado ao lado de sua última esposa, Andrea. Um forte sinal da influência da loira, é o fato de Carl dar seu nome à sua primeira filha, ao invés de Lori,  por exemplo, sua mãe biológica. Isso não diz que Carl pegou uma certa “birra” de Lori(como o público fez); mas reforça o quão forte era seu respeito e admiração pela mãe que o criou. Mostrando que família é o que é, não o que tem que ser.

Outro destaque do episódio é o modo com que os zumbis se tornaram peças escassas e de certa forma, apreciadas pelo público; mostrando o quão raros eles se tornaram. Nos dez anos do salto temporal muita coisa evoluiu, e aquele modelo de vida no Império também se desenvolveu, com leis que fugiram dos muros e agora, em um mundo um pouco mais parecido com o nosso, as pessoas reconquistaram o direito de não ter limites em seu horizonte, transformando o modo com que a geração de Andrea será criada, sendo moldados de uma forma que Carl e Sophia deveriam ter sido moldados; em um mundo onde não é só “matar ou morrer”; mas crescer, estudar, ter uma profissão e uma família. Algo tão corriqueiro para nós, e que The Walking Dead sempre retratou muito bem, o prazer nas coisas mais simples da vida, como um banho quente ou um pudim de chocolate.

A trama desta última edição traz curiosidade para sabermos como o mundo está, como nossos personagens favoritos ficaram depois de todo esse tempo, e faz isso com um roteiro oscilante. Que vai do emocionante para o extremo clichê. Ter que forçar um personagem a ter um comportamento idiota, como no caso de Hershel Jr. não agrega em nada a trama, que por ser uma última edição poderia ter se utilizado ainda mais do fator emocional.
As aparições de Maggie e Michonne parecem soar muito fan service, e não passa que elas estariam realmente naqueles lugares, sempre no lugar certo na hora certa, ainda mais com os postos importantes e muito trabalhosos que elas conquistaram.

Eugene, Lydia, entre outros personagens também dão as caras, e ajudam a contribuir para o clima de que “todo mundo chegou lá”.
O fato de Pamela e Sebástian ainda estarem presos por seus crimes que mesmo a muitos tropeços, o sonho de Rick continua de pé; e me arrisco a dizer que ele deixou um mundo melhor do que o que ele foi criado; e se isso não é ser ídolo o suficiente, eu não sei o que é.

Os zumbis viraram coisa do passado, mas cá entre nós, a série nunca foi sobre eles. Kirkman sempre deixou claro que The Walking Dead é sobre pessoas de carne e osso; suas falhas e virtudes, e tudo o que podem fazer simplesmente com o poder da palavra.
Cair, levantar, tropeçar, e levantar novamente, assim caminha os zumbis; mas assim também caminha a humanidade.


Farmhouse não é nem de longe a história mais inspirada de Robert Kirkman, e duvido que alguma outra ideia seria. Ainda mais difícil que iniciar um enredo, é encontrar um fim para ele. Nesta última edição, Kirkman entrega uma trama que oscila entre o bom e o ruim, mas encerra com uma passagem que faz cada quadrinho lido até hoje valer a pena.

O fim das revistas de The Walking Dead é algo épico e único, e sem dúvidas, em Farmhouse algumas lágrimas irão escorrer dos walkers que leram, se emocionaram, e acima de tudo, durantes todos esses dezesseis anos viveram com The Walking Dead em seus corações.





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