POR QUE AVES DE RAPINA INCOMODOU TANTO OS HATERS?



#BIRDSOFPREY:
POR TRÁS DO
(PRÉ)CONCEITO NERD!


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Há mais de uma década, filmes de super-heróis dominam as bilheterias do cinema, e cativam milhares de fãs mundo afora. E um dos maiores pontos positivos de toda essa Era de Heróis tem sido o crescente debate a respeito da Representatividade; palavrinha difícil mas fundamental nos dias atuais.
A tal da Representatividade pode ser definida como um espelho. O espelho que reflete na tela, as mais variadas características daqueles que param para assistir uma obra, neste caso, os filmes de super-heróis.
Essas grandes produções de Hollywood têm sido cada vez mais cobradas a difundir as mais variadas formas de etnia, diversidade de gênero, entre outras representatividades; tudo isso para evocar um senso maior de igualdade entre todos nós.

O preconceito racial mostrado em Pantera Negra, e a falta de empatia com seres especiais vista nos filmes da franquia X-Men são os exemplos mais claros de críticas sociais maduras e que obtiveram muito sucesso ao colocar o “dedo na ferida”, aumentando os debates até mesmo, entre os mais jovens, que se distanciavam dessas questões mais polêmicas até um tempo atrás.
Entretanto, uma outra forma de pré-conceito parece ainda distante de ser erradicada(não que as outras também não estejam), o pré-conceito com a mulher na sociedade. Filmes como Mulher Maravilha e Capitã Marvel foram amplamente elogiados pela crítica e público em geral, porém para uma parcela barulhenta e grande demais para ser ignorada, estas obras são apenas um material de lacração. Ou seja, aquelas obras feitas para agradar, segundo eles, “as minorias que estão na moda”.

O mais interessante, e repugnante também, vem a ser o fato de que muitas das palavras de ódio e preconceito contra estes exemplares de produções cinematográficas são ditas por fãs da cultura pop, mais popularmente conhecidos como nerds ou geeks. Justamente essa que foi uma das tribos mais perseguidas dos valentões em décadas passadas, e alvo de chacota até os primeiros anos do século XXI.

Claramente aqueles que sentiram na pele, o que é ser tratado de forma diferente, e mais ainda, saber o que é dar a volta por cima, e hoje ter eventos ao redor do mundo voltados especialmente para eles, deveriam saber mais do que ninguém, o quanto as palavras e atos podem machucar, mesmo sem o contato físico. Os nerds e geeks do mundo poderiam ser o exemplo de sociedade que queremos para nós e nossos filhos. Porém, dia após dia, uma minoria dessa comunidade insiste em propagar mensagens de ódio contra uma representatividade, que assim como a deles, demorou anos para ser conquistada.


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Recentemente, ao observar os comentários a respeito de um trailer das Aves de Rapina, nova produção do Universo DC Comics no cinema, pude perceber o quão o machismo ainda é propagado sem a menor vergonha em nosso país e no mundo. O longa é uma adaptação de uma história em quadrinhos, e traz a história de um grupo de anti-heroínas com um objetivo em comum, combater o crime de uma forma mais bruta e nem sempre dentro da lei.
Bom, essa seria uma premissa digna de qualquer filme de justiceiros ou qualquer outra produção protagonizada por Jason Statham. Algo que causaria orgasmos em boa parte dos “machões” de plantão. Entretanto, neste caso são mulheres que fazem o trabalho sujo; algumas delas como as personagens Arlequina e Canário Negro, vistas durante anos como submissas a seus parceiros, e apenas uma diversão sexual nas páginas dos quadrinhos.

Isso parece “machucar” a virilidade de quem se importa tanto em ver aquelas personagens ali, emancipadas de suas amarras, e a fim de combater abusadores e criminosos, exatamente como aqueles que vão as redes sociais para antagonizar o filme, apenas por não gostar do uniforme de um das personagens.
A famosa “lacração” é vista como um mal de uma sociedade em que as minorias crescem e se tornam detentoras de direitos que antes só podiam sonhar em conquistar. Já esses “homens”, exatamente assim, entre aspas, vistos em menor número, se sentem acuados e preparados para disparar contra qualquer forma de representatividade que ameace a sua “soberania”. Nem que para isso, tenham que ir ao encontro do desrespeito com uma raça diferente da sua, uma orientação sexual diferente da sua, e até mesmo, contra o feminismo. Ou seja, até mesmo contra o sexo que lhe trouxe ao mundo. Contra aquela que poderia ser sua mãe, irmã ou esposa.

O Machismo é uma forma de preconceito tão cruel e insensata como qualquer outra forma de discriminação, e assim como as outras, tem adeptos nas mais diferentes classes e nichos sociais, como até mesmo na política. Figuras eleitas por homens brancos e poderosos, que se sentem representados por aquelas palavras de ódio. Essas é a representatividade deles; por isso é tão importante o empoderamento daqueles considerados minorias, para mostrar que as minorias, na verdade, são Eles! Os homens que tentam tornar o mundo pior a cada dia.

Os haters que enchem nossas timelines com palavras de ofensa são seguidores de outros que assim como eles, marcaram a história com páginas de sangue, violência e intolerância. E para os odiadores, isso é motivo de orgulho. A diferença agora, é que com a internet ficou tudo mais rápido e muitos desses “defensores da moral” perderam o medo, se escondendo atrás de suas telas.
Exatamente por isso que não podemos esconder nossas heroínas das telas onde elas merecem brilhar. Nossas mães, tias, avós, irmãs, filhas e esposas são muito mais que “mulheres”. São guerreiras, soldadas, vencedoras e heroínas.
Diariamente, elas lidam com todo o tipo de preconceito possível, nas mais diferentes formas; mas lutam e nos educam da melhor forma possível. Portanto, não devemos gastar nosso precioso tempo rebaixando aquela que é o ser mais amado do seu amigo, ou de qualquer outro cidadão do mundo.


"A fúria contra as Aves de Rapina são apenas a ponta de um iceberg cheio de intolerância e ignorância, com base em conceitos retrógrados e totalmente sem representatividade. Aliás, com uma representatividade, a que ELES decidiram ser a correta!"


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O ano de 2020 será marcado por ser um ano praticamente todo voltado para as super-heroínas no cinema. Tanto a DC Comics com Aves de Rapina e Mulher Maravilha 1984, como a Marvel Studios com o filme solo da Viúva Negra prometem vim com tudo quando o assunto é representatividade feminina nas telonas. Os trailers de todas as produções estão muito promissores, e agradaram grande parte dos fãs que acompanham as personagens.
Claro que a atenção não é a mesma dada a filmes protagonizados por personagens masculinos, como os recentes sucessos bilionários Homem-Aranha: Longe de Casa, Aquaman e Coringa por exemplo; porém são, sem dúvidas, uma grande amostra de evolução nas equipes de planejamento dos grandes estúdios.

  
O cinema é considerado a sétima arte, as histórias em quadrinhos são a nona. E quando as duas se unem, é incrível o poder que elas têm de propagar mensagens de superação e esperança. Basta olharmos meninos da periferia que colocam uma capa do Superman para saírem correndo com os braços içados ao ar como se quisessem tocar as nuvens, mesmo que não tenham muito mais do que exatamente isso, um céu sob suas cabeças. Meninas que se vestem como a Rainha das Amazonas, Diana Prince, e se sentem poderosas o bastante para combater as injustiças de seu cotidiano. Fora tantos e tantas inspirações que os filmes de super-heróis nos passam a cada lançamento.


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Tudo isso é grande demais para ignorarmos, porém o preconceito ainda é um problema a ser enfrentado, um vilão a ser derrotado, e um assunto usado como arma por uma minoria, mas que mesmo assim assusta e ensurdece. Um assunto que deve ser combatido com o mais belo dos pensamentos; o de liberdade, igualdade e fraternidade. O acreditar no melhor, acreditar na esperança, acreditar no bem. E acreditar que somente quando pensarmos que todos os homens, mulheres e crianças do mundo merecem o mesmo respeito e dignidade, é que entenderemos o significado do que é ser um super-herói!


18 comentários:

  1. Concordo plenamente, parece que é só postar um poster, foto ou imagem das Aves de Rapina que aparece alguém para desmerecer o filme e as atrizes sempre com o uso de palavras como "lacração" e blablabla
    Só tenho uma dica quanto ao texto, edite o "opção sexual" e troque por orientação sexual, ninguém opta por isso nascemos assim

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    1. Tainara, muito obrigado pelo feedback. Já está alterado.
      E realmente é irritante saber o quão baixo as críticas a respeito desse longa estão espalhadas por aí.
      Nada com base no que foi visto, apenas em deduções e "achismos" carregados de preconceito.

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    2. ninguém nasce ja com sexualidade definida

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  2. Concordo. Amei o lema da rev. Francesa no final. Só uma dica: tenta dar uma revisada no texto pra evitar erros de português. O haters querem qualquer coisa pra falar (se é que eles leem textos assim). Amei a linha de raciocínio! Não pare de escrever!!

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    1. Muito obrigado. São esses comentários que nos motivam a cada dia mais, em busca de nossos sonhos!

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  3. Muitos estão criticando esse filme pelos motivos errados, agora sobre o filme da Viúva Negra que estréia em Maio, ninguém tá falando nada, a também a questão de ser um filme da DC Films e por não seguir o estilo de filmes da Marvel Studios é cada uma que falada sobre esse filme que não dá para acreditar, eu julgo um filme pela qualidade dele e não por motivos errados.

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    1. Com toda certeza. Certas franquias ou produções carregam um certo "chamariz" para atrair críticas negativas. As produções da DC sabem disso melhor que ninguém rs

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  4. Porque é um filme fraco e bem clichê. Só teve a bilheteria que teve por causa da onda de filmes de super heróis, senão não teria nem a bilheteria que teve.

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  5. Amei o texto, ele explica cuidadosamente e com clareza toda a situação que gira em torno do filme. Acredito que toda a discussão, que desperta o machismo de muitos, deve-se ao fato de que é um filme geek (âmbito majoritariamente formado por homens) mas que foca nas mulheres. O público alvo são as mulheres (minorias no meio geek). E por usar de personagens que por anos foram abordadas como parceiras submissas com roupas amplamente sexualizadas. Mas nesse filme, sendo apresentadas de uma forma independente e sem apelativos - que mantém a proposta e respeita as mulheres inclusas e o público. Dessa forma, muitos homens (e mulheres tbem) se incomodam e criam um ódio do filme, nem focam na qualidade dele, mas odeiam mesmo assim. Muitas vezes sem ter nem assistido.

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    1. Muito obrigado pela leitura! Concordo que o tal do "machismo" atrapalhou muito o filme. Muitos não sentiram nem a curiosidade para assistir; apenas a ansiedade para apontar o dedo; e nesse caso, apontar o dedo para o "nada".

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  6. Amei o filmeeee ❤ recomendo demais! E fico feliz que, mesmo com a bilheteria baixa, ele trouxe um retorno ótimo para o estúdio com a venda de DVDs e Blurays

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    1. Realmente amigo, fiquei muito feliz também com o retorno das vendas em mídia física e digital. O que me deixa esperançoso para, quem sabe, um projeto relacionado à equipe para o HBO Max! Acho que a liberdade seria ainda maior para a produção, e com um orçamento mais enxuto, o retorno poderá ser ainda mais "fantabuloso"!

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  7. Incomodou porque não foi Aves de Rapina né. Foi um filme da Arlequina contando com a participação de algumas personagens icônicas secundárias.

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    1. Verdade amigo, isso realmente atrapalhou as possibilidades. Inclusive para outras produções da DC, que perderam a oportunidade de ter uma Canário Negro ou uma Cass Cain, já que dificilmente essas personagens terão outras oportunidades em futuras produções fora do nicho das Aves de Rapina.

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  8. É um filme da Arlequina com as Aves de coadjuvantes!
    Ainda estragaram totalmente o Máscara Negra,um baita vilão

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  9. Aves de Rapina incomodou quem sabe o mínimo de criação de estórias, protagonista que não evolui ou passa por uma jornada o filme inteiro, vilão e personagens secundários mal trabalhados e rushados, história simplista e picotada, enfim, única parte boa do filme é a atuação do Ewan McGregor e só

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  10. Descaracterização das personagens das Aves de Rapina, foi tipo quando eu fui assistir o filme do Street Fighter onde o Ryu e o Ken era secundários e o Guile protagonista. Agora se tivessem feito Sereias de Gotham teria dado certo pra kct.

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