SUCKER PUNCH(2011), POR ZACK SNYDER


A OBRA MAIS INJUSTIÇADA
DE ZACK SNYDER


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“Uma jovem é internada em um hospital psiquiátrico pelo padrasto. Lá, aventura-se em um mundo surreal para fugir de sua dura realidade. Esta “outra realidade” a leva para guerras que a garota trava ao lado de suas companheiras de manicômio, a fim de encontrarem uma saída para toda aquela loucura”


A filmografia de Zack Snyder pode ser intitulada como um tanto quanto “Pessoal”. Por mais que grande parte de suas obras(praticamente todas) sejam adaptações de outras mídias, como as histórias em quadrinhos; seu estilo de escrita e direção tornam seus projetos extremamente únicos, e utilizam da marca registrada do diretor norte-americano, a fotografia dark somada a mundos sombrios e depressivos, que apresentam personagens prestes a se quebrarem. E assim vimos 300, Watchmen, O Homem de Aço, Batman vs. Superman

Todavia, Sucker Punch: Mundo Surreal foi escrito e dirigido pelo próprio Snyder. Não foi adaptada de uma obra literária como Watchmen, ou baseada em um longa antigo como Madrugada dos Mortos. Sucker Punch é o Snyder mais bruto que você verá hoje, e muito por conta disso, é a sua obra mais injustiçada.


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A responsabilidade de adaptar as histórias em quadrinhos mais importantes da história da nona arte, Watchmen e Cavaleiro das Trevas(adaptada em Batman vs. Superman) é um peso que poucos poderiam carregar, e se Snyder é um desses poucos, é história para outro texto; porém, apesar de todos os ônus que estas responsabilidades trazem, elas também trazem pontos atrativos. Divulgação de importantes estúdios, grandes orçamentos de produção, uma história rica e que por si só, já está pronta para ser adaptada, além é claro, de que você goste ou não do trabalho final, certamente você irá correr atrás desse material, o que gera mais arrecadação e visibilidade para o diretor.

Na contramão, quando você coloca nas telas um projeto idealizado por você mesmo, torna-se um desafio ainda maior para vende-lo às grandes massas.
Olhando o copo pelo lado “meio cheio”, também podemos concluir que apresentar uma obra inteiramente sua, possui certos atrativos; como a liberdade que você tem para escrever, apagar, corrigir e reescrever na sua própria visão; sem ter que ouvir milhares de fãs furiosos nas redes sociais com citações do tipo “Mas nos quadrinhos ele nunca faria isso!” ou o “o antigo era melhor”.
E nesse ponto, está a grande maioria das críticas negativas que Snyder sempre recebeu em suas produções. O fato do diretor não dar para trás, e aceitar a responsabilidade de adaptar projetos audaciosos e extremamente populares, o tornou o típico “ame ou odeie” entre os cinéfilos.

Por isso quando ele altera momentos cruciais das histórias originais, como no polêmico desfecho de Watchmen, a comoção gerada é extremamente assustadora. E o peso de carregar esta responsabilidade recai sob os ombros de quem aceitou essa verdadeira “missão suicida”.
As comparações são sempre inevitáveis, e os haters adoram procurar os mínimos detalhes para crucificar os trabalhos de Zack, assim como seus “discípulos”, o amam enaltecer, seja por sua visão “divina” ou pelos easter-eggs que o diretor tanto gosta de inserir em suas obras.

E talvez por isso, Sucker Punch seja minha obra favorita de Snyder. Como não há um ponto para compararmos, parece que recebemos o longa de uma forma mais amistosa, e o próprio diretor, que também assina o roteiro(ao lado de Steve Shibuya) parece estar mais a vontade em sua “própria área” e assim, mais confortável para nos apresentar um pouco da loucura que se passa em sua mente. E ser esse tipo de louco não é ruim, pois como diria Alice, “as melhores pessoas são assim”.

Por falar em Alice, o próprio Zack Snyder definiu Sucker Punch como um “Alice no País das Maravilhas com metralhadoras!”. Na produção, ele apresenta mundos em guerra, com generosos efeitos visuais, e com batalhas de tirar o fôlego. Tudo isso protagonizado por belas mulheres em roupas provocantes. Parece ser o filme dos sonhos de qualquer adolescente virando realidade.
E goste você ou não desse “excesso” de corpos à mostra, durante os 110 minutos de sua produção, Snyder jamais apresenta mulheres como objetos; o que ele apresenta são quão cruéis são aqueles que utilizam delas apenas para divertimento. Estes sim, são os grandes vilões da história, e não o diretor.
Aliás, praticamente todos os personagens masculinos da produção são mostrados como machistas, maléficos, e capazes de atos repugnantes como o estupro e o feminicídio. E em nenhum momento Snyder os coloca em um pedestal querendo os transformar em exemplos de ser humano.


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Como destaque temos a atuação detestável de tão perfeita de Oscar Issac, que dá vida ao personagem Blue; o terror das moças residentes do Manicômio-Casa de Dança da Madame Gorski, esta interpretada pela sempre correta e exuberante Carla Gugino.

A protagonista da trama BabyDoll é vivida pela atriz Emily Browning, que curiosamente estava pensando em desistir da carreira de atriz, até Snyder a convidar para estrelar a produção; e mesmo que a moça não dê um show de atuação, em nenhum momento ela compromete.
Sucker Punch passa longe de ser um filme perfeito, e suas grandes batalhas se tornam repetitivas com o passar da produção, e seus múltiplos finais possíveis parecem ter confundido a cabeça de Snyder, que acabou por escolher, um desfecho mediano para suas personagens. Não é o soco no estômago que foi o final de O Homem de Aço, nem o decepcionante final de Batman vs Superman. Mas mesmo com esses defeitos, possui menos erros de roteiro do que os dois exemplares citados anteriormente.

O filme ainda conta com uma participação mais que especial de Scott Glenn, sendo uma espécie de Mestre Yoda de BabyDoll. O ator, muito famoso por produções das décadas de 80 e 90 se torna uma peças centrais da história, e fator crucial para compreendermos o que o diretor quis apresentar na obra. A forma com que cada uma irá interpretar a cena final de Scott com uma das protagonistas do filme, vai influenciar diretamente no entender que o roteiro fará em sua mente.

Sweet Pea(Abbie Cornish), Rocket(Jena Malone), Blondie(Vanessa Hudgens) e Amber(Jamie Chung) são as companheiras de BabyDoll tanto na Realidade da Loucura, como na Loucura da Realidade. A trama pouco se aprofunda no passado das moças, e em alguns casos, não temos informação alguma. Entretanto, isso não as torna menos interessantes, e provavelmente se tivéssemos alguma informação na trama, ela teria sido passada de forma tão superficial, que talvez seja melhor que o mistério continue no ar.

As coreografias de lutas estão impecáveis, e o famoso slow motion Snydesco está presente, deixando as cenas dignas de serem colocadas em um quadro. A trilha sonora também é um show a parte e nos joga completamente em meio as cenas de ação, com destaque para o cover de Sweet Dreams, tocado na cena inicial do filme. Falem o que quiser de Zack Snyder, não se pode negar o cuidado que o diretor tem para arquitetar os ambientes ideais para seus personagens brilharem. Luz e som em prefeita sincronia não só agradam os críticos mais exigentes, como o público mais casual. Afinal, quem nunca se lembrou de um filme, ao ouvir determinada música em uma estação de rádio ou no spotify?



MAS AFINAL, O QUE SIGINIFICA "SUCKER PUNCH"?

Na língua inglesa, Sucker Punch pode ser definido como um soco de otário, também conhecido como um golpe de covarde; é um soco feito sem aviso prévio, que não permite tempo para preparação ou defesa por parte do destinatário. O termo é geralmente reservado para situações em que a forma como o soco foi entregue é considerada injusta ou antiética.
Esta injustiça pode ser traduzida como o momento escroto e desumano que o padrasto de BabyDoll a trancafia em um manicômio, ou até mesmo como o gatilho “covarde” de BabyDoll que em um momento de pânico não raciocina de forma correta e mata a pessoa errada por engano.
Ou até mesmo podemos definir o nome do longa como a sensação que temos em vários momentos da produção, onde as mortes são verdadeiros socos em nosso estômago, nos deixando com uma sensação de raiva e até mesmo, vergonha.


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Sucker Punch é um longa cercado de interpretações e teorias, que somente ao assisti-lo mais de uma vez, você terá uma opinião concreta sobre ele(ou talvez nem assim!). Porém, deve ser presença obrigatória na cinelist de qualquer fã de Zack Snyder, de filmes com grandes cenas de luta, ou de qualquer um que goste de abrir a mente a todos os caminhos que a Sétima Arte.



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