DESEJO SOMBRIO (OSCURO DESEO) : REVIEW


A ANÁLISE
DO SUSPENSE PICANTE
ESTRELADO POR
MAITE PERRONI

“O amor mata”


DESEJO SOMBRIO (OSCURO DESEO) : REVIEW


Há pouco mais de uma semana, estreou na Netflix uma das séries mais picantes e misteriosas já produzidas pelo streaming; Desejo Sombrio, ou no original, Oscuro Deseo.
O suspense mexicano causou um grande alvoroço nas redes sociais, principalmente no Brasil, onde a protagonista da trama, Maite Perroni, tem uma grande legião de fãs, devido à sua participação na novela Rebelde, onde interpretou a doce Lupita; novela essa, que rendeu um grupo musical de exposição internacional, o RBD.

Maite Perroni sempre entrega boas interpretações em seus trabalhos, e não é à toa que a morena possui o apelido de “rainha das novelas mexicanas”. E foi justamente da Terra do Chaves, que Desejo Sombrio veio para apimentar as maratonas dos “sériesmaníacos”!
Mas afinal de contas, do que trata essa produção?

A advogada e professora universitária Alma Solares (Maite Perroni) é casada com o respeitado juiz Leonardo Solares (Jorge Poza) com quem tem uma filha, Zoe (Regina Pavón). Certa de que está sendo traída pelo marido, ela decide passar um fim de semana na casa de sua melhor amiga, Brenda (María Fernanda Yapes). Nesse passeio, Alma conhece o jovem Darío (Alejandro Speitzer) com quem vive uma intensa paixão. Entretanto, um crime acaba transformando sua vida e movimentando sua família, fazendo-a questionar a verdade sobre as pessoas próximas. Com a ajuda do cunhado, Esteban (Erik Hayser), ela começa uma investigação com desdobramentos inesperados.


DESEJO SOMBRIO (OSCURO DESEO) : REVIEW


Criada por Letícia López Margalli, e dirigida por Kenia Marquez, o enredo de Desejo Sombrio é envolvente na maior parte do tempo, e possui um desenrolar que faz você ficar ansioso pelo próximo episódio, com pequenas(e grandes) pontas soltas que são deixadas pela temporada.
Entretanto, a duração de dezoito episódios parece atrapalhar o ritmo do show. E quando chegamos ao final, percebemos que poderíamos ter tido bem menos episódios para chegar a esse fim. O próprio roteiro da trama força em determinadas situações, colocando personagens entrosando-se em um passe de mágica, como a atração que acontece por parte de Zoe, com o misterioso Dário.

E por falar no galã, se tem uma participação que ousa tirar os holofotes de Maite Perroni por alguns instantes, é a atuação de Alejandro Speitzer, o jovem que começou a trabalhar em novelas apenas aos cinco anos, segura muito bem suas cenas, misturando sempre muito bem seus demônios interiores, e nos deixando com a pulga atrás da orelha, em saber se devemos ou não confiar no rapaz. Mesmo que você gostando ou não do personagem, seus meios para chegar ao seu objetivo, são no mínimo, insensíveis.

E algo que fez minha paciência ser testada em vários momentos, foi a apatia das personagens femininas da trama com o galã. A protagonista Alma, e sua filha Zoe; são muito afetadas por Dário; e cometem atos, por falta de palavra melhor, repugnantes. Como ir atrás de um homem que te persegue, que finge ser outra pessoa, e te afasta de quem você ama; e para receber em troca uma grande dose do bom e velho prazer carnal.

Não que as personagens femininas da trama sejam retratadas como as pessoas mais idiotas do mundo, mas, nos momentos em que sua libido parece falar mais alto que a sua própria consciência, é que os problemas começam. Curioso que este fator está, por estereótipos, ligado ao sexo masculino; onde incessantemente, ouvimos comentários como: “homem é tudo igual”. Mas Desejo Sombrio vem para mostrar que o mais correto seria dizer: “humanos são todos iguais!”.
As traições de praticamente todos os personagens do enredo estão muito ligadas ao sexo. Até mesmo a personagem Brenda, que apesar de parecer ter virado uma “santa” após sua morte, atrapalhou e muito a vida de todos a sua volta. Como ela diz em seus momentos derradeiros, “o amor mata”. Sim, talvez o amor possa dar um empurrãozinho; mas vem do meticuloso Estéban(Erik Hayser), o maior ensinamento da série: “Pessoas não se preocupam em perder um amor; se preocupam apenas em perder”.

Um homem que se sente mal por ter sido traído, mas que faz há meses o mesmo tipo de traição com sua esposa; a mulher que quer tanto ser amada, mas se comporta como uma pessoa que não merece tal sentimento. O rapaz que busca curar traumas do passado, mas que não se importa em destruir o futuro de uma doce jovem. O irmão que quer o que não lhe pertence, e que acaba tentando tirar tudo o que pertence ao outro.

Desejo Sombrio é sobre não saber perder. Desejo Sombrio é sobre tudo o que o ser humano carrega dentro de si, e todos os tetos de vidro em que nossa máscara se ampara.

As atuações da produção mexicana estão corretas, e claro, que o projeto é desenvolvido para a sua estrela Maite Perroni brilhar. Dando vida à Alma, Maite entrega, provavelmente, o trabalho mais profundo de sua carreira; que não será o mais marcante(devido à sua popularidade em Rebelde), mas será o papel em que a atriz mergulhou de cabeça e saiu de sua zona de conforto. Ela é perfeita em todos os sentidos, e até quando sua personagem abusa de nossa paciência, ela segura firme suas cenas e nos encanta a cada instante.

Com cenas de nudez dirigidas de um modo muito bonito e respeitoso com os atores em cena, Desejo Sombrio é um suspense, que apesar de seus defeitos, envolve o telespectador e nos convida a sair um pouco da mesmice de séries cheias de efeitos especiais e monstros assustadores, indo ao encontro de uma trama forte, e com mensagens realmente marcantes para nosso cotidiano.
Vale muito para quem é fã de Maite Perroni ou de Alejandro Speitzer. Mas também vale para qualquer fã de dramas mexicanos, bons suspenses, ou até mesmo, para experimentar um novo tipo de abordagem para sexo e traições.


Flipboard: Maite Perroni fala de cenas quentes em “Desejo Sombrio ...


A principal lição que podemos tirar do show, é que por mais clichê que seja falar, as aparências realmente enganam, e saber perder não é uma lição que aprendemos na escola ou em um torneio de futebol. O ser humano tende a culpar todo o lado externo pelo que acontece em seu interior; mesmo que o lado externo seja a pessoa que você divide confidências, ou o outro lado da cama.
Saber perder não é uma condição dada para nós, é apenas um retalho de uma grande colcha que envolve a sua e a minha vida; é tudo o que se esconde imerso à uma mentira, uma traição, ou até mesmo, a uma banheira de sangue.


*O show deixa uma ponta solta para uma possível continuação, que apesar de desnecessária, pois a trama se resolveria muito bem caso a produção optasse por um fechamento de ciclo, pode arrebatar mais algumas temporadas, que se corrigido alguns erros de roteiro, irão render muito mais cifras para o bolso da produtora.


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