MALCOLM & MARIE (CRÍTICA)

 

#REVIEW
A PERFEIÇÃO DE ZENDAYA!


MALCOLM & MARIE (CRÍTICA) geek resenhas 

“Um cineasta(Washington) volta para casa com sua namorada(Zendaya) após a estreia de seu mais novo filme. Enquanto aguarda a publicação das críticas do projeto, a noite muda repentinamente quando revelações sobre seus relacionamentos começam a vir à tona, testando a força do amor do casal.”

 

Escrito e dirigido por Sam Levinson, Malcolm & Marie possui “apenas” dois atores em cena. As aspas, neste caso, são para reforçar que não é um “apenas” pejorativo. Muito pelo contrário, está para mostrar que é exatamente neste “apenas”, que o filme encontra sua maior força.

John David Washington(Tenet) é Malcolm; Zendaya(Euphoria) é Marie. E resumindo a história... QUE ATUAÇÕES DA P****!

Malcolm é um diretor imerso em seu mundo de preocupações, sem sossegar até finalmente saber o que a crítica “especializada” achou de seu mais recente trabalho. Em meio a um certo otimismo, que passa por insegurança, alegria, inquietação e fúria; cada tom ditado pelo roteiro evidencia o quão instável é a mente de quem depende de seus avaliadores para assumir o sucesso de um projeto, e que mesmo sendo alvo de elogios, ainda não se satisfaz com quem não suga de sua obra, o que ele queria que o indivíduo sugasse.

Inevitável isso não acontecer, afinal, a arte só é arte, quando o espectador a define como arte, e não podemos fazer com que a mente de cada pessoa se assemelhe a sua, pois cada um de nós interpreta cada projeto artístico de uma certa forma, e mesmo entre duas pessoas que avaliaram bem esse projeto, pode ter nuances de pensamentos distintos, que as levaram a gostar daquilo exposto.

Malcolm não se satisfaz com o que é exposto no texto do LA Times, e mesmo com a crítica exaltando sua produção, ainda não é o suficiente para aquietar seu ego.

A atuação de Washington é precisa e mostra o quão o ator evolui de um projeto ao outro, construindo uma carreira, até este ponto, impecável. Infiltrado na Klan, Tenet e Malcolm & Marie são projetos extremamente marcantes do ator, que mostra a cada nova alçada em sua filmografia, que herdou o dom do pai, Denzel Washignton; e caminha para sair das sombras do grande ator.

A fotografia em preto e branco, passa um charme especial à obra, e a trilha sonora acompanha muito bem os mais variados momentos do casal.
O modo com que a câmera passeia pelos corredores da residência, e intercala entre os diálogos exaltados dos atores é algo muito bem montado, e vai ao encontro das grandes atuações em cena.

 

MALCOLM & MARIE (CRÍTICA) geek resenhas

A direção intimista de Sam Levinson nos imerge na trama de uma forma muito envolvente, e torna inadmissível que o Globo de Ouro não tenha olhado com mais carinho para esta produção. O fato da produção ser distribuída pela Netflix pode ter colaborado para um certo descaso por parte dos mediadores da premiação, já que a gigante do streaming encabeçou seis grandes produções entre os indicados nas diversas categorias cinematográficas, e Malcolm & Marie pode ter sido deixado de lado, simplesmente pela mãe não poder dar a mesma atenção para todos os filhos. O que pode ter se mostrado um grande erro na conta da Netflix, ainda mais com protagonistas muito populares como Washington e Zendaya, que atrairiam muitos olhares para a premiação.

E por falar em Zendaya, a moça está um arraso. Ela é intensa, sexy, frágil, forte e mais tudo o que você imaginar de Marie.

Dependente química durante boa parte de sua vida, e ainda convivendo com os fantasmas de seu passado, Marie é uma mulher insegura, e que trata seu marido como o homem que está ali apenas por ser algo que atiça sua mente a fazer mais projetos, por Marie ser uma grande fonte para um cineasta que quer dramatizar uma protagonista enfrentando o vício nas drogas.

Muito do que a personagem Imani reproduz no filme dirigido por Malcolm, vem do passado de Marie, e isso a faz se sentir sendo usada por seu marido, como uma espécie de consultora da obra, ao invés, de alguém que poderia dialogar em mão dupla com o diretor, ouvindo e sendo ouvida, e até mesmo, protagonizando a produção.

Os conflitos do casal são intensos e permeiam toda a trama, que em certos momentos, parece dar voltas, e tira um pouco do ritmo da trama, mas que no final nos compensa com um ótimo entretenimentos, inserindo conflitos que me lembraram muito o “História de um casamento”, também projeto da Netflix, e que foi a aposta da produtora no Oscar passado.

Ótimos diálogos que servem para expor o quão profunda é a relação de um casal, e o quão grande é o significado de cada pequeno ato durante todo o relacionamento.
Como diria Marie, a hipótese é o que sustenta uma relação; a dúvida de existir alguém melhor no passado ou no futuro do seu par; e em um dos muitos diálogos marcantes de Zendaya no longa, ela nos mostra o quão grande é a sensibilidade que Malcolm & Marie nos entrega.

 


Zendaya e Sam Levinson trabalham juntos no sucesso Euphoria, da HBO; e em Malcolm & Marie, a dupla repete o ótimo entrosamento, e gabarita a atriz para quem sabe, uma vaguinha entre as indicadas ao prêmio de melhor atriz da Academia do Oscar.
Se Zendaya será lembrada, só o futuro dirá, mas que por bem menos, Scarlett Johansson foi indicado no ano passado, isso foi.

 

Malcolm & Marie é um retrato intimista sobre a vida não só de um diretor de cinema ansioso pela recepção de seu mais novo projeto, mas um retrato da vida de um casal que ainda não superou os fantasma do passado de cada um, e que descarrega no momentos mais inoportunos, tudo nos ombros de seu amante. A produção já está disponível na Netflix.

 

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