V DE VINGANÇA (REVIEW)


LEMMBRAI, LEMBRAI,
O CINCO DE NOVEMBRO...


V DE VINGANÇA(REVIEW) : É O MUNDO QUE TEME O HOMEM


A produção cinematográfica de V de Vingança foi lançada no ano de 2005. Dirigida por James McTeigue(O Corvo) e estrelada por uma jovem Natalie Portman e o sempre ótimo Hugo Weaving. O longa foi baseado na graphic novel de mesmo nome escrita pela Lenda Viva Alan Moore, em parceria com David Lloyd; e apesar de não ter dado um grande retorno financeiro, mostrou ser um ótimo entretenimento, e ao menos, pagou seu orçamento.

O roteiro fora escrito por ninguém menos que as Irmãs Wachowski(Lilly e Lana), as mesmas mentes por trás do revolucionário Matrix. E como em sua obra mais famosa, as Irmãs encheram V de Vingança com vários questionamento e dilemas internos, a fim de fazerem o telespectador se posicionar perante cada ação dos personagens ali representados.

V de Vingança por muitas vezes não recebe o respeito que merece. Tanto em sua premiada história em quadrinhos, como no filme. Aliás outras obras cinematográficas adaptadas dos quadrinhos da década de 80 também não receberam a devida atenção em seu momento de passagem pelos cinemas.

Watchmen, também escrito por Alan Moore, e passado para as telas através do controverso diretor Zack Snyder. E o mesmo Snyder também adaptou o arco do Cavaleiro das Trevas, escrito por Frank Miller em 1985, em sua produção Batman vs. Superman, de 2016.
Estas obras somadas a V de Vingança mostram o quanto um grande filme pode ser depreciado por uma geração que ainda não possui o conhecimento suficiente para julgar uma obra de tamanhas facetas.
Não que o Watchmen ou Batman vs. Superman não tenham defeitos(TEM MUITOS!) mas, ainda assim, conseguem ser ótimos entretenimentos, em comparação a blockbusters que são muito mais bem avaliados pelo público, e com defeitos muito maiores; como os que vemos em vários filmes das franquias de Transformers, Velozes e Furiosos, e principalmente do Universo Marvel.


V DE VINGANÇA(REVIEW) : É O MUNDO QUE TEME O HOMEM


Não à toa, estas obras são conhecidas até os dias de hoje, por terem sido publicadas em um tempo a frente do seu. Obras que estavam na vanguarda das histórias em quadrinhos, e que mesmo causando polêmica e um certo estranhamento em seu lançamento, hoje são veneradas, tanto que ganham versões em live-action com grandes investimentos financeiros.
V de Vingança pode não ter sido execrado como um Batman vs. Superman, porém assim como a obra de Snyder, é um exemplo de que até mesmo no mundo do cinema, existem exemplos de obras que irão ser melhor compreendidas com o tempo. Principalmente pelo caráter humano, e pela linguagem política e de alerta que estas obras passam, mas que olhando somente para a nossa frente, não é possível que percebamos o tamanho dessa lição que a história nos passa. É preciso olhar o mundo que vêm a nossa frente, o que está ao nosso lado, e olhar sim para trás; para enfim perceber aquilo que estava a nossa frente até um tempo atrás mas, que o brilho do presente não nos deixava ver. A obra de V de Vingança é extremamente política e provocante, características que são ainda melhor apreciadas justamente com o passar dos anos.

O que permeia a graphic novel de Moore, e o filme de James McTeigue(que adapta fielmente a obra original), é justamente o desconforto que sentimos ao perceber a semelhança da Londres fictícia com o mundo em que vivemos; com exemplos de imprensa e política andando de mãos dadas, e acobertando atos cruéis e corruptos.
A inocência de uma criança correndo pelas ruas e caindo morta poucos passos depois, e a inacreditável obediência de militares, que persistem em seguir um sistema falido, que nunca lhes deu mais do que o que podia caber em sua mão.

Algo muito incoerente vindo daqueles que deveriam prezar pela ordem que nos cerca, e não ser o cerco a nossa volta, que blindam aqueles que estão fora dele, vivendo livres e sem amarras.V de Vingança é sobre isso, toda a realidade que se mistura a ficção, e vice-versa. O molde que faz com que o telespectador torça para o terrorista, e não para a lei ser cumprida; pois a lei não passa só de mais um pilar dos muitos que sustentam aquela de Casa de Mentiras Alheias.
E diferente da superestimada Watchmen, do mesmo Alan Moore, V de Vingança aborda o mundo de uma forma extremamente palpável, com plots de personagens que mexem conosco de uma forma única, seja pelo simbolismo e crença do misterioso V, da “inocência” da jovem Evey(Natalie Portman) ou da extrema frieza demonstrada pelos poderosos do Partido Fogo Nórdico.

Cada peça deste tabuleiro nos remete a uma sensação distinta, e isso torna a obra, um dos grandes enredos de Alan Moore, senão, o maior deles, quando o tema é a sociedade e seu comportamento.
As Irmãs Wachowski tiveram muito êxito na adaptação de um roteiro das histórias em quadrinhos para a grande tela. Um êxito bem maior que outras obras adaptadas do próprio Moore, como o controverso Watchmen, de 2010, dirigido por Zack Snyder e escrito por. Ou até mesmo o mediano Liga Extraordinária de Stephen Norrington.



Totalitarismo, Militarismo, Preconceito, Opressão e Medo. Bandeiras levantadas por ditadores durante toda a história e, ainda defendidas por alguns de seus discípulos(TÁ OK?). Quando vemos o final de V de Vingança, torcemos para não precisarmos chegar a um ponto onde o ódio seja o principal ingrediente para combater o ódio; porém quando olhamos ao nosso redor, todos os futuros possíveis de nossa humanidade parecem caminhar para um mesmo final, a completa falta de tolerância e liberdade com o próximo.

E mesmo sem esquecer, de que o V não é um mocinho totalmente correto, é impossível não assistimos suas ações, sem uma pontinha de nós torcer para que um dia possamos acordar e lembrar para sempre do cinco de novembro.


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