CODA, NO RITMO DO CORAÇÃO (CRÍTICA - #OSCAR 2022)

 

C.O.D.A
"NO RITMO DO CORAÇÃO"
(REVIEW)


Iniciando nossa maratona rumo à cerimônia do Oscar, no próximo dia 27; escolhemos um dos favoritos do Geek Resenhas para essa temporada de premiações: CODA, ou como vem sendo chamado aqui no Brasil, No Ritmo do Coração.

 


Ruby(Emily Jones), de 17 anos, é a única pessoa que ouve em uma família de surdos. Quando o negócio de seus pais é ameaçado, ela fica dividida entre seu amor pela música e suas obrigações como intérprete de sinais no trabalho com seu pai


Não é fácil ser original com tantas produções que retratam as mais diversas dificuldades de uma pessoa que possui algum tipo de doença, deficiência ou que se encontram em um espectro alternativo ao tratado como “convencional”. Mas CODA aborda a deficiência auditiva de um modo leve e didático, sem apelar para melodramas que veríamos em qualquer outra produção Oscarbait; e está justamente neste ponto, algo que já diferencia a produção de tantas outras histórias de superação que a Academia adora.

Emily Jones é um dos destaques de um elenco, que por si só, já salta aos olhos. Ruby é forte e doce ao mesmo tempo, nos fazendo torcer para seu sucesso desde o início da trama. Não dá para imaginar o quanto de sacrifícios que a jovem precisou fazer para ser a filha exemplar que vemos em tela; e somado a isso, o quão é difícil sua decisão de contrariar seus pais, mesmo que seja para a realização de um sonho pessoal.
Jones também faz bonito na parte vocal, que contém canções belíssimas e que vão de encontro a muito do que vemos na produção; algo que fica ainda mais explícito em um dos momentos mais emocionantes da trama, quando Ruby canta para seu pai, que mesmo sem conseguir a ouvir, se emociona com cada movimento e corda vocal de Ruby.

E já que falamos nele, Troy Kutsur é impecável como o patriarca da Família Rossi. Um pai esforçado, trabalhador e que mesmo após tantos anos de luta, ainda precisa reunir forças para lutar ainda mais, para colocar o pão de cada dia na mesa. Algo que sempre é muito bem vindo quando consumimos produções estadunidenses, que grande parte das vezes, passa a impressão que todos vivem de ações da Bolsa de Valores, e moram em casas de luxo.

 


A indicação de Troy Kutsur ao Oscar de Ator Coadjuvante é muito merecida, e vem sendo vista como uma possibilidade real de vitória, mesmo que a categoria este ano, possua nomes com grandes trabalhos feitos como o de Kodi Smit-McPhee em Ataque dos Cães e Ciarán Hinds, de Belfast.

Outros dois atores que não vem sido tão ventilados na temporada de premiações mas que cabem em uma menção honrosa, são os nomes de Daniel Durant e Eugenio Derbez. O primeiro, como o irmão mais velho de Ruby, e que possui um diálogo extremamente forte e tocante com a caçula próximo ao ato final. Já Eugenio é Bernardo Villalobos, professor de Ruby, e que enxerga na menina um talento, que naquele instante, nem ela mesmo acreditava que poderia chegar tão longe.

Vale lembrar que os personagens surdos do elenco, são sim interpretados por atores surdos. O que torna o longa ainda menos Oscarbait, já que produções deste calibre iriam colocar nomes mais “pesados” da indústria para interpretar estes personagens. Algo que não execrável, mas que passaria um compromisso maior com a crítica do que com a arte.
Não são poucos os momentos de CODA que nos comovem, e Sian Heder imprime um texto e direção tão naturais, que nos prendem nas quase duas horas de trama, e sem qualquer apelação chega como um dos grandes filmes da temporada de premiações, tanto para Melhor Filme, como em categorias secundárias, como Ator Coadjuvante e Roteiro Adaptado(algo que acho difícil alguém retirar de Duna).

Vale lembrar que CODA é uma refilmagem de A Família Bélier, de 2014; produção francesa que também recebeu muitos elogios da crítica, o que motivou ao lançamento deste remake em terras estadunidenses. Muitos criticam este “costume” da indústria americana em produzir incontáveis remakes das mais variadas partes do mundo, mas é algo que torna mais acessível diversas produções, que sem seus “remakes derivados” não alcançariam um público tão grande; afinal é muito mais fácil procurarmos em um catálogo de streaming ou na fila do cinema por produções que nos soem como familiar, e o estilo estadunidense já sai na frente neste quesito, por culturalmente aderirmos ao estilo americano, como algo mais “normal” ao nosso cotidiano, o que acaba depreciando diversas obras que são tão maravilhosas quanto a indústria Hollywoodiana.

O elenco de CODA também conta com a estrela Marlee Matlin, única vencedora surda do Oscar de Melhora Atriz; prêmio que ela conquistou por sua atuação em Filhos do Silêncio, de 1986. A atriz foi uma das maiores entusiastas do projeto de CODA, inclusive fazendo questão que todos os personagens surdos da trama fossem interpretados por atores realmente surdos; o que foi extremamente benéfico para a recepção do projeto nos mais diversos grupos de apoio e tratamento à pessoas com esse tipo de deficiência. E que viram no filme, além do respeito pela escolha dos atores, uma dramatização original, ao apresentar pessoas surdas vivenciando um cotidiano com trabalho, relações amorosas, e vida familiar; como os de qualquer outra pessoa. Ao invés de apresentar um lado mais melodramático e com mais lágrimas que lições a serem aprendidas.

 


Uma curiosidade para quem não entendeu o título do filme; CODA, na língua inglesa, é uma sigla para Children of Deaf Adults. É como são conhecidos os filhos ouvintes de pais surdos. A palavra também é usada como sendo a parte final de uma canção; algo que também se encaixa na produção, tornando o título com um significado ambíguo.

CODA está disponível no Brasil, através do Amazon Prime Video. E sua distribuição e campanha para a temporada de premiações foi custeada pela gigante Apple.


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