TELEFONE PRETO, REVIEW (THE BLACK PHONE, 2022)

 

O TELEFONE PRETO
DE SCOTT DERRICKSON

Já consagrado no gênero do horror, Scott Derrickson(de A Entidade e O Exorcismo de Emily Rose) traz seu mais novo projeto para saciar os insaciáveis fãs do terror!


TELEFONE PRETO, REVIEW (THE BLACK PHONE, 2022)-geek-resenhas

 “Finney Shaw, um tímido mas perspicaz rapaz de 13 anos, é raptado por um sádico assassino(interpretado por Ethan Hawke), que o enclausura em um porão, onde gritar não vai resolver nada. Quando um telefone desligado começa a tocar, Finney descobre que através do aparelho, consegue ouvir vozes das vítimas anteriores do assassino. E elas estão decididas a assegurar que o que lhes aconteceu, não aconteça a Finney”

 

Produzido pela Blumhouse, Telefone Preto é mais um exemplar de trama que mesmo entretendo bem o público, fica aquém de dar um passo adiante e colocar o pé na porta.

O longa sabe retratar um ambiente hostil, seja no open bar de bullying escolar, até em relacionamentos abusivos, como de um pai com seus filhos. E nesta meia hora inicial o roteiro de C. Robert Cargill(parceiro de Derrickson em seus maiores sucessos) constrói o suspense de uma forma muito eficaz e nos deixa ansiosos para seu segundo ato.
E é justamente na segunda parte do longa diminui o ritmo e perde uma boa oportunidade de construir seus personagens principais, Finn e The Grabber.
O vilão, The Grabber, vivido pelo brilhante Ethan Hawke é muito bem interpretado, e toda sua construção visual(elaborada pela lenda Tom Savini), ajuda e muito a torná-lo carismático, apesar de suas atrocidades.

Não somos colocados muito diante do que aconteceu com as vítimas anteriores do Grabber, e isso nos deixa com uma pulga atrás da orelha sobre o que pode acontecer ao nosso “heróizinho” Finn(Mason Thames). Mason não tem o mesmo carisma de Hawke, e algumas vezes não passa a emoção que seria perfeita para o personagem. Takes mais longos e que se aprofundassem no drama do menino em cativeiro cairiam como uma luva no enredo. Informações adicionais vindas de cada “chamada” também ampliariam nossa percepção sobre o Grabber, como seu modus operandi de agir com suas vítimas, e não só de como as captura como é mencionado; uma clara referência ao famoso serial killer Ted Bundy.

Fora seu protagonista, um grave problema de Telefone Preto é o seu trailer; que revela não só alguns, mas muitos momentos de tensão da trama. Não tem um meio termo aqui, em revelar um “gostinho” ao público. É dedo na ferida direto e toda uma produção de quase duas horas, sendo resumida diante de nossos olhos em poucos minutos de teaser.


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O desfecho do longa não faz muitas invenções e entrega algo satisfatório, com alguns clichês(como o personagem que só está lá para morrer, a polícia “xeroque rolmes” e por aí vai...) mas que no geral é bom. A parceria Hawke/Derrickson ainda é melhor explorada em A Entidade, mas aqui, os fanáticos por produções de terror, são os que mais se destacam na produção que vem recebendo muitos elogios por parte dos telespectadores.
Em um ano onde já tivemos um bom filme de slasher com o retorno de Pânico, e que aguardamos com ansiedade para o Não, Não Olhe!, de Jordan Peele, Telefone Preto vem para mostrar que Scott Derrickson pode entregar bons filmes de terror, e fazer frente a outros grandes nomes do gênero.

Faltou uma trama mais dinâmica, com menos minutos e mais claustrofobia, e um assassino que não tivesse medo de arrancar sua máscara(BADUMM!)
A interação de Finn com seus “companheiros” de cárcere é muito boa, e ajuda a diversificar o núcleo infantil, com vítimas dos mais variados estilos que procuram ajudar o menino, cada um do seu modo.
Quem se destaca também é a pequena Madelaine McGraw, que dá vida à Gwen, a astuta irmã de Finn, que possui um dom especial que ajuda e muito no desenrolar da produção(ajuda mais que a polícia, inclusive).

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Em uma época de filmes de terror inovadores e que brincam de transitar em diversos assuntos e gêneros, Telefone Preto perde tempo demais em uma trama que necessitava de uma construção mais profunda de seus personagens. Provavelmente o filme fará uma boa bilheteria, o que acenderá a luz verde da Blumhouse para confirmar uma sequencia(prequel, no caso), e que AÍ SIM, pode trazer um desenvolvimento maior de sua ambientação e contexto; algo que o próprio James Wan pôs em prática no seu Invocaverso, com Invocação do Mal 2 sendo uma sequencia muito melhor trabalhada e que entregou mais do que seu antecessor.

Scott Derrickson é um dos grandes diretores de terror que temos na atualidade e que sabe construir atmosferas densas e entregar boas surpresas para o telespectador. Em Telefone Preto, mesmo sem entregar o seu melhor, o cineasta prova que mesmo não sendo o melhor todos os dias, sempre alcança uma qualidade acima da média!


P.S: Telefone Preto 2: A Primeira Chamada seria um bom título para uma prequel, não é mesmo??


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